Justiça condena Luciano Hang por faixas contra Lula — e o preço da opinião vira censura

Justiça condena Luciano Hang por faixas contra Lula — e o preço da opinião vira censura

Empresário terá de pagar R$ 33 mil por mensagens exibidas em aviões; decisão reacende debate sobre liberdade de expressão no Brasil

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina condenou o empresário Luciano Hang, dono da rede Havan, a pagar R$ 33 mil ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva por “danos morais”. A sentença foi motivada por faixas exibidas em aviões durante o verão de 2019, com frases que ironizavam o petista.

Entre as mensagens estavam: “Lula cachaceiro, devolve meu dinheiro”, “Lula na cadeia, eu com o pé na areia” e “Melhor que o verão é o Lula na prisão”. O episódio ocorreu pouco depois de Lula deixar a prisão, e o caso foi levado à Justiça ainda naquele ano.

Inicialmente, o pedido de indenização havia sido negado, mas a decisão foi revertida por unanimidade na 1ª Câmara Civil do TJSC. O advogado de Lula, Miguel Novaes, confirmou o resultado nesta sexta-feira (31). Hang ainda pode recorrer.

A condenação reacende uma discussão antiga, mas cada vez mais urgente: onde termina o direito à crítica e começa o crime de opinião?. As faixas, ainda que provocativas, representavam uma manifestação pública de repúdio político — e agora são tratadas como ofensa pessoal.

O empresário, conhecido por suas posições conservadoras e críticas abertas ao Partido dos Trabalhadores, viu suas palavras virarem sentença — um episódio que expõe o quanto a liberdade de expressão no Brasil anda algemada.

Enquanto a Justiça se mobiliza para punir frases no céu, muitos brasileiros seguem se perguntando: quem realmente está preso — o empresário ou o direito de dizer o que se pensa?

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