Bandeira de Trump na Câmara gera climão entre bolsonaristas

Bandeira de Trump na Câmara gera climão entre bolsonaristas

Deputado do PL exibe símbolo em apoio ao ex-presidente dos EUA e acaba se desculpando após reação negativa da própria base

O que era para ser uma coletiva improvisada da oposição na Câmara dos Deputados acabou virando motivo de saia justa. O deputado Delegado Caveira (PL-PA), em meio a discursos contra o governo Lula, decidiu erguer uma bandeira em apoio ao ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump — com direito ao famoso slogan “Make America Great Again”.

O gesto, feito em frente às câmeras e jornalistas, pegou mal até entre os próprios aliados de Jair Bolsonaro. Parlamentares do PL rapidamente pediram que o deputado baixasse a faixa, alegando que aquele não era o momento nem o lugar para esse tipo de manifestação. O deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP), presidente da Comissão de Segurança Pública, foi direto: “O foco da reunião era outro”.

O episódio aconteceu logo após o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), suspender temporariamente as sessões das comissões, incluindo as de Segurança Pública e Relações Exteriores, que estavam sendo usadas por aliados de Bolsonaro para tentar aprovar moções de apoio ao ex-presidente.

Bandeira e tarifa: a conexão incômoda

A exibição da bandeira ocorre justamente quando o governo Lula tenta colar a imagem do tarifaço de 50% imposto por Trump ao alinhamento do bolsonarismo com o ex-presidente americano. A própria carta enviada por Trump ao Brasil, justificando a nova tarifa, menciona o julgamento de Bolsonaro por tentativa de golpe como um dos motivos da medida — o que tem sido usado pelo Planalto como prova de interferência externa em assuntos internos do país.

A manifestação pública de apoio a Trump por parte de deputados do PL acaba alimentando a narrativa do governo federal e gerando constrangimento entre opositores que preferem manter a discussão em um tom mais técnico, centrado nas consequências econômicas da tarifa.

Oposição rachada

O caso também expôs as divisões dentro da própria oposição. Enquanto uma ala mais ideológica insiste em defender Trump abertamente, outra — mais preocupada com os impactos diplomáticos e econômicos — tenta construir pontes com o Congresso norte-americano e buscar saídas institucionais para o impasse comercial.

Com a entrada em vigor da tarifa marcada para 1º de agosto, o tempo é curto e a tensão cresce. Setores-chave da economia brasileira já começam a sentir os efeitos da medida, enquanto a oposição ainda busca uma voz única em meio ao ruído político.

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