
Barroso pede serenidade no julgamento de Bolsonaro: “É missão difícil, mas é servir ao Brasil”
Presidente do STF afirma que processo contra ex-presidente e outros réus deve ocorrer sem pressões externas, “venham de onde vierem”
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, disse nesta segunda-feira (1º) que o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e dos demais acusados de envolvimento na tentativa de golpe representa mais uma das “missões difíceis” da Corte. Segundo ele, a responsabilidade do Judiciário é clara: aplicar a Constituição e a lei, sem ceder a pressões ou retaliações externas — inclusive de governos estrangeiros.
“O papel do Judiciário é julgar os casos que chegam até nós, de acordo com a Constituição e a legislação. Sem interferências, venham de onde vierem. Estamos ali para cumprir uma missão difícil, mas que é, acima de tudo, servir ao Brasil da melhor forma possível”, declarou Barroso durante um evento no Rio de Janeiro.
O ministro também ressaltou a necessidade de reduzir tensões no país. Para ele, viver em democracia não significa eliminar divergências, mas aprender a conviver de forma civilizada. “A democracia não é regime de consenso. Quem ganha governa, quem perde pode voltar a disputar. Polarização sempre existiu, o problema é o extremismo”, afirmou.
Barroso lembrou ainda que a história brasileira é marcada por golpes e crises institucionais, mas destacou que, desde 1988, o país conseguiu preservar um ambiente democrático, mesmo diante de sobressaltos como os atos de 8 de janeiro. Ele acredita que o Brasil está próximo de “empurrar o extremismo para a margem da história”.