
Bigode “fora do padrão” vira caso de detenção na PM
Sargento com 35 anos de serviço é punido por detalhe no rosto — e a corporação trata como se fosse ameaça à ordem
Um segundo sargento da Polícia Militar de Pernambuco foi punido com três dias de detenção por um motivo que parece até piada pronta: o tamanho do bigode. Segundo a corporação, o estilo usado pelo policial não seguia os padrões de apresentação pessoal exigidos pela PM.
O militar punido é Samuel de Araújo Lima, que trabalha há 35 anos na instituição e atualmente atua na Companhia Independente de Apoio ao Turista (CIATur), em Olinda. Ele recorreu da decisão e o processo segue em andamento.
Fiscalização pegou no detalhe durante serviço extra
De acordo com o advogado do sargento, Tiago Reis, Samuel foi notificado após uma fiscalização enquanto trabalhava em um serviço extraordinário — o PJES (Programa de Jornada Extra de Segurança), uma espécie de “hora extra” do policial.
Segundo o relato da defesa, não houve denúncia de ninguém. A situação aconteceu durante uma inspeção de rotina na rua, quando uma capitã teria observado que o bigode ultrapassava o limite permitido.
A avaliação foi direta: o bigode teria passado da linha considerada aceitável pelas regras internas.
A regra existe: bigode pode, mas com limite
A punição disciplinar foi publicada em boletim interno da PM no dia 13 de janeiro. A corporação afirmou que a medida segue o Suplemento Normativo (Sunor) nº 68, de 26 de outubro de 2020, que regulamenta a apresentação pessoal dos militares estaduais.
Pelas regras citadas:
- o bigode é permitido, desde que seja discreto e aparado
- não pode ultrapassar a linha dos lábios
- precisa constar na carteira de identidade do militar
- deve ser aparado acima da linha do lábio superior
A PM também declarou que essa detenção é uma sanção administrativa, e que não retira o policial do serviço.
“Foi uma surpresa”, diz a defesa
O advogado afirmou que o sargento ficou surpreso com a punição, principalmente porque ele já usava o mesmo visual há anos sem qualquer advertência anterior.
Depois da notificação, Samuel precisou aparar o bigode para se adequar às normas.
A defesa apresentou justificativa, mas a corporação não aceitou. Agora, o caso está em fase de recurso e, enquanto isso, o policial segue trabalhando normalmente.
O mesmo bigode que já foi até “condecorado”
Um detalhe que chama atenção é que, segundo a defesa, Samuel foi recebido e elogiado pelo comandante-geral da PM em 2024, após um gesto de bravura: ele prendeu em flagrante um suspeito de latrocínio, mesmo estando a caminho do trabalho, e ainda apreendeu uma arma.
E adivinha? Era o mesmo bigode.
A defesa destaca o contraste: antes, o policial foi parabenizado pelo desempenho e coragem. Agora, o que pesa contra ele é um detalhe estético, como se o problema da segurança pública estivesse… no comprimento do bigode.