
Trump ameaça novas sanções à Rússia após ataque recorde à Ucrânia
Ex-presidente americano critica duramente Moscou por ofensiva com 550 drones e mísseis e admite que conversa com Putin não trouxe avanços para a paz
O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, subiu o tom contra a Rússia nesta sexta-feira (4), após o que foi descrito como o maior ataque aéreo contra a Ucrânia desde o início da guerra, em 2022. Em entrevista a bordo do Air Force One, Trump afirmou que Moscou “só quer continuar matando” e sugeriu a possibilidade de impor novas sanções ao governo de Vladimir Putin.
Segundo Trump, a declaração veio depois de uma ligação telefônica tensa com o presidente russo na quinta-feira. “Ele quer ir até o fim, continuar matando pessoas. Isso não é bom”, disse, visivelmente incomodado. O ex-presidente revelou que a conversa teve como foco as sanções econômicas, e afirmou que Putin “sabe o que pode acontecer”.
Poucas horas após essa ligação, a Ucrânia foi alvo de um bombardeio sem precedentes: 550 drones e mísseis foram lançados pela Rússia durante a madrugada, segundo a Força Aérea ucraniana. Foi o ataque mais massivo desde o começo da invasão.
Apesar dos esforços diplomáticos, Moscou reafirmou sua posição intransigente e declarou que seus objetivos não serão alcançados pela via diplomática — sinal claro de que a guerra está longe de terminar. A ofensiva continua em meio às dificuldades das forças russas nas linhas de frente.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, informou que também conversou com Trump e que os dois concordaram na necessidade de reforçar as defesas aéreas do país. Ele não deu detalhes, mas a urgência cresce diante da fragilidade da Ucrânia contra os bombardeios russos.
Trump também mencionou que falou com o chanceler alemão Friedrich Merz sobre o possível envio de sistemas de defesa aérea do tipo Patriot para Kiev. No entanto, disse que ainda não bateu o martelo sobre a entrega do equipamento, considerado vital pelos ucranianos.
Mesmo diante da escalada da violência, Trump reconheceu que a conversa com Putin “não trouxe qualquer avanço” nas negociações. Desde maio, Ucrânia e Rússia voltaram a se encontrar em tentativas de diálogo, mas após duas rodadas infrutíferas, não há previsão para uma nova reunião.
Putin reforçou suas exigências a Trump: quer que a Ucrânia entregue quatro regiões, além da Crimeia, anexada em 2014, e desista de entrar na Otan — condições que Kiev considera inaceitáveis. Enquanto isso, os ataques continuam. Na noite de sexta, mais uma leva de bombardeios russos deixou pelo menos dois mortos e quase 30 feridos.
Apesar da tensão crescente, Rússia e Ucrânia anunciaram uma nova troca de prisioneiros de guerra, fruto de um acordo fechado em junho com a mediação da Turquia. É um raro gesto de diálogo em meio a uma guerra que parece longe de ter um fim.