
Moro cobra coerência após Lula admitir que Lulinha precisa se explicar
Senador critica blindagem da base governista e defende investigação sem privilégios na CPMI do INSS
O senador Sergio Moro (União-PR) se manifestou nesta sexta-feira (6) após o presidente Lula afirmar publicamente que o próprio filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, deve explicações sobre possíveis vínculos com o esquema de fraudes no INSS, revelado recentemente e apelidado de Farra do INSS.
Para Moro, há uma contradição evidente entre o discurso e a prática do governo. Enquanto Lula diz ter cobrado esclarecimentos do filho em conversa privada, a base aliada no Congresso atua para impedir que essas explicações sejam dadas de forma pública e institucional, dentro da CPMI do INSS.
“Se o próprio presidente admite que o filho precisa se explicar, por que impedir que ele seja ouvido na comissão?”, questionou o senador, ao destacar que transparência não pode ser seletiva nem protegida por conveniências políticas.
Discurso público x ação política
Em entrevista recente, Lula afirmou que chamou o filho para uma conversa direta, dizendo que ele deveria “pagar o preço” caso tivesse algo a esconder e se defender caso não tivesse envolvimento. A fala soou como um gesto de rigor, mas perdeu força diante da atuação do governo no Congresso.
Na prática, a tentativa de convocar Lulinha para depor na CPMI foi barrada pela base governista, que se uniu para vetar a ida do filho do presidente à comissão. A iniciativa frustrada gerou reação imediata de parlamentares da oposição.
Defesa da investigação sem exceções
Sergio Moro foi direto ao ponto: para ele, não há combate real à corrupção quando parentes do poder recebem tratamento diferenciado. O senador defende que todos os envolvidos, independentemente do sobrenome ou do cargo que ocupam na hierarquia política, devem ser investigados com o mesmo rigor.
A postura de Moro reforça sua atuação no Senado como defensor de instituições fortes, investigações independentes e respeito ao papel das CPIs, especialmente em casos que envolvem recursos públicos e aposentados — os maiores prejudicados no escândalo do INSS.
Credibilidade em jogo
O episódio escancara um dilema para o governo: manter o discurso de combate a irregularidades ou sustentar a blindagem política de aliados e familiares. Para Moro, a escolha feita até agora enfraquece a confiança da população nas investigações e alimenta a percepção de dois pesos e duas medidas.
Em um cenário de crescente cobrança por transparência, a posição do senador ecoa um princípio básico da democracia: quem não deve, não teme investigação.