Bolsonaro convoca base na Paulista e pede maioria no Congresso para “mudar o destino do Brasil”

Bolsonaro convoca base na Paulista e pede maioria no Congresso para “mudar o destino do Brasil”

Mesmo inelegível, ex-presidente afirma que pode influenciar o país sem estar no Planalto e insinua risco de morte: “Não querem só me prender, querem me eliminar”

No calor de mais uma manifestação na Avenida Paulista, neste domingo (29), Jair Bolsonaro voltou a subir no palanque para acenar à sua base e lançar um novo recado político: pediu que seus seguidores elejam uma maioria no Congresso nas eleições de 2026. O ex-presidente, atualmente inelegível, afirmou que com 50% da Câmara e do Senado sob seu guarda-chuva político, poderia “mudar o destino do Brasil” — mesmo sem precisar ser presidente.

“Se vocês me derem isso nas urnas no ano que vem, eu mudo o país”, afirmou diante da multidão. O apelo vem num momento delicado: Bolsonaro é réu no Supremo Tribunal Federal por envolvimento em tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados aos eventos pós-eleições de 2022.

Apesar de não poder concorrer até 2030 por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Bolsonaro continua dando sinais de que deseja voltar à corrida presidencial, desafiando o próprio sistema que o condenou. E mesmo fora do Planalto, aposta na força do Congresso como arma para influenciar os rumos do país.

Atualmente, o PL, partido do ex-presidente, detém a maior bancada da Câmara, mas ainda distante de qualquer maioria. No Senado, o cenário é semelhante. Bolsonaro aproveitou o ato para também fazer campanha indireta para outros partidos de direita, como o Republicanos — do governador Tarcísio de Freitas, que estava ao seu lado no protesto — e outras siglas que orbitam entre o bolsonarismo e o centrão.

A manifestação também serviu como palco para mais uma fala carregada de teor conspiratório. O ex-presidente insinuou que seus adversários não querem apenas vê-lo preso, mas morto. “Tenho certeza de que o objetivo final não é só me prender. É me eliminar. É lógico que não quero ser preso, e muito menos morto”, disse, sem nomear quem estaria por trás dessa suposta ameaça.

Em paralelo, Bolsonaro aproveitou a recente derrota de Lula no Congresso — quando os parlamentares barraram um aumento no IOF — para reforçar sua retórica de que o Legislativo precisa ser dominado pela direita. A fala, mais contida do que em atos anteriores, indica uma possível mudança de tom diante do cerco judicial cada vez mais apertado.

Enquanto responde na Justiça e busca manter a chama acesa entre seus seguidores, Bolsonaro aposta todas as fichas numa bancada robusta em 2026. Na Paulista, a mensagem foi clara: o poder, para ele, não está só na cadeira presidencial — está na soma das cadeiras do Congresso.

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