Bolsonaro na Mira: PF Investiga Tentativa de Pressão sobre o STF com Apoio dos EUA

Bolsonaro na Mira: PF Investiga Tentativa de Pressão sobre o STF com Apoio dos EUA

Ministro Moraes vê “confissão pública” do ex-presidente em manobra articulada com Eduardo Bolsonaro para interferir no Judiciário brasileiro por meio de sanções estrangeiras.

A Polícia Federal (PF), com aval da Procuradoria-Geral da República (PGR), deflagrou nesta sexta-feira (18) uma operação que impôs duras restrições ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). As medidas foram autorizadas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e incluem tornozeleira eletrônica, recolhimento noturno e proibição de contato com Eduardo Bolsonaro e diplomatas.

A decisão parte de indícios de que Bolsonaro estaria envolvido em um esquema internacional liderado por seu filho para pressionar instituições brasileiras, como o STF e a própria PF, através de sanções impostas pelos Estados Unidos. A PF apontou que essa articulação tem como pano de fundo a tentativa de esvaziar a ação penal que investiga a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Segundo Moraes, Bolsonaro não apenas participou do plano como, em declarações públicas, demonstrou total consciência de suas ações. Ele teria financiado e incentivado ações diplomáticas paralelas, buscando interferência direta de um governo estrangeiro no funcionamento do Judiciário nacional — o que fere gravemente a soberania do país.

Tarifa como ferramenta de chantagem

Um dos pontos centrais da investigação é a tarifa de 50% imposta pelo presidente americano Donald Trump sobre produtos brasileiros, medida que Eduardo Bolsonaro comemorou publicamente como fruto de sua atuação em Washington. O ministro do STF considerou essa estratégia um verdadeiro instrumento de chantagem econômica contra o Brasil, com o objetivo de gerar instabilidade social e política e, assim, enfraquecer a Corte.

Moraes também apontou que Jair Bolsonaro se reuniu, em maio, com um alto conselheiro do Departamento de Estado dos EUA e, dias depois, publicou nas redes sociais um “alerta” para que os Poderes brasileiros tomassem providências para “restabelecer a normalidade institucional” — frase interpretada como tentativa de extorsão judicial.

Três crimes sob suspeita

Com base no material apresentado pela PF, Moraes destacou que Bolsonaro pode ter cometido ao menos três crimes:

  • Coação no curso do processo (art. 344 do Código Penal);
  • Obstrução de investigação sobre organização criminosa (Lei 12.850/13);
  • Atentado à soberania nacional (art. 359-I do Código Penal).

Para o ministro, as evidências indicam que Bolsonaro atuou de forma articulada com Eduardo Bolsonaro para constranger o STF, desestabilizar a economia e tentar forçar a anulação da ação penal em curso contra ele.

Defesa reage com indignação

A defesa do ex-presidente classificou as medidas como uma “surpresa indignante” e afirmou que Jair Bolsonaro sempre respeitou as ordens judiciais. Segundo os advogados, qualquer manifestação será feita apenas após o acesso completo à decisão de Moraes.

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