“Sem limites”: Moraes reage a elogio de Bolsonaro a Trump e vê “ousadia criminosa”

“Sem limites”: Moraes reage a elogio de Bolsonaro a Trump e vê “ousadia criminosa”

Ministro do STF critica ex-presidente por celebrar tarifa contra o Brasil e diz que Bolsonaro tenta usar apoio estrangeiro para pressionar o Supremo

No mesmo dia em que Jair Bolsonaro compartilhou um vídeo exaltando Donald Trump — que o elogiava e criticava o presidente Lula — a Polícia Federal pediu ao Supremo Tribunal Federal uma operação contra o ex-presidente. Para o ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, o gesto de Bolsonaro não foi só simbólico: foi mais uma peça de um jogo perigoso que, segundo ele, busca deslegitimar instituições brasileiras em conluio com forças estrangeiras.

Moraes foi direto: “A ousadia criminosa parece não ter limites.” A frase veio acompanhada de duras acusações. Segundo o ministro, o ex-presidente tem usado as redes sociais e falas públicas para atacar a soberania nacional e pressionar o Judiciário, especialmente no contexto da Ação Penal 2.668, que apura tentativas de golpe após as eleições de 2022.

Na avaliação da PF, Bolsonaro — junto com seu filho, Eduardo Bolsonaro — teria atuado para incentivar a adoção do tarifaço por Trump, medida que impôs tarifas de 50% a produtos brasileiros. O objetivo, segundo os investigadores, seria criar atritos comerciais e políticos entre os dois países para tentar frear o andamento da ação no STF.

Moraes apontou ainda que a conduta de Bolsonaro vai além do discurso. “As ações são claras: instigar, induzir e auxiliar um governo estrangeiro a adotar atos hostis contra o Brasil, tentando, assim, submeter o funcionamento do Supremo a interesses externos.”

Entre os motivos que reforçaram o pedido de medidas cautelares, está a avaliação de risco de fuga. Bolsonaro agora está obrigado a usar tornozeleira eletrônica, cumprir recolhimento noturno e manter distância de qualquer embaixada. A operação foi autorizada poucos dias depois de o ex-presidente republicar elogios de Trump e classificá-lo como “o mais proeminente defensor da civilização ocidental”.

A postura de Bolsonaro, para Moraes, expõe o esforço de transformar o cenário judicial em um palco de guerra ideológica internacional, usando elogios estrangeiros como escudo e tentando, ao mesmo tempo, humilhar e descredibilizar o sistema judicial brasileiro.

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