Bolsonaro se declara criador do Pix e se dispõe a negociar com Trump para barrar tarifas

Bolsonaro se declara criador do Pix e se dispõe a negociar com Trump para barrar tarifas

Ex-presidente afirma que filho Eduardo lidera negociações nos EUA e pode ser peça-chave contra taxação de 50% nos produtos brasileiros

Nesta quinta-feira (17/7), em entrevista no Senado, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que o Pix foi uma criação sua e sugeriu que a investigação comercial aberta contra o Brasil estaria relacionada ao impacto financeiro do sistema de pagamentos. Ele ainda se colocou à disposição para dialogar diretamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na tentativa de evitar o aumento das tarifas comerciais entre os dois países.

“Antes do Pix, o banco só tinha cartão. Com o Pix, Ted e Doc, os bancos perderam mais de R$ 20 bilhões comigo, e eu nunca taxei o Pix”, disse Bolsonaro, enfatizando: “O Pix tem nome: Jair Bolsonaro.”

Embora o sistema tenha sido oficialmente lançado em novembro de 2020, ele foi idealizado ainda no governo Michel Temer, em 2018. Em 2020, Bolsonaro chegou a demonstrar desconhecimento sobre o Pix, confundindo o termo com algo ligado à aviação civil.

Sobre a guerra tarifária, Bolsonaro acredita que poderia ajudar a barrar as medidas impostas pelos EUA. “Acho que teria sucesso numa conversa com o presidente Trump. Estou à disposição. Se me der um passaporte, vou negociar”, afirmou.

Ele lembrou que teve o passaporte retido pela Polícia Federal em fevereiro de 2024, durante investigações sobre suposta tentativa de golpe.

O ex-presidente também destacou o papel do filho, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que está nos Estados Unidos conduzindo as negociações com o governo Trump. Segundo Jair Bolsonaro, Eduardo é “mais útil lá do que aqui” e pode ser um aliado importante para frear a tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.

Eduardo está nos EUA desde março, buscando apoio contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. Sua licença parlamentar termina neste domingo (20), e ele pode perder o mandato caso não retorne. Em entrevista, ele afirmou que pretende abrir mão do cargo.

Sobre o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), Bolsonaro disse que ele não teria força para negociar sozinho com Trump. “Não vai ser uma pessoa isolada. É o Brasil que negocia. E Trump não vai ceder”, declarou.

Bolsonaro esteve no Senado acompanhado por aliados do PL, visitou o gabinete do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e participou de conversas com parlamentares próximos.

Recentemente, após ameaçar o Brasil com tarifas de importação de 50% a partir de agosto, o governo Trump iniciou uma investigação comercial sobre o país. Bolsonaro rejeitou a ideia de que seria o culpado pelas medidas americanas. “Eu sou o culpado? Ele está fazendo isso com o mundo inteiro.”

Uma pesquisa Genial/Quaest mostrou que 72% da população brasileira rejeita a decisão de Trump, enquanto apenas 19% concordam com a taxação sob o argumento de suposta perseguição judicial a Bolsonaro.

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