Bolsonaro se diz perseguido e convoca apoio para eleger metade do Congresso

Bolsonaro se diz perseguido e convoca apoio para eleger metade do Congresso

Em ato na Paulista, ex-presidente lamenta derrota, ataca o STF, fala em “fumaça de golpe” e defende que, com maioria no Congresso, mudaria o país mesmo sem voltar ao Planalto

Bolsonaro volta às ruas com discurso de resistência e pedido por força política

Neste domingo (29), Jair Bolsonaro (PL) reuniu milhares de apoiadores na Avenida Paulista, em São Paulo, num evento organizado pelo pastor Silas Malafaia sob o lema “Justiça Já”. Em seu discurso, o ex-presidente fez um apelo direto ao público: quer eleger pelo menos 50% do Congresso Nacional em 2026 para, segundo ele, transformar os rumos do Brasil – mesmo que não seja novamente presidente.

Durante a fala, Bolsonaro relembrou a derrota nas urnas em 2022, voltou a criticar o Supremo Tribunal Federal (STF) e disse ser alvo de processos por “uma fumaça de golpe”, não por corrupção. “Não me acusam de desviar da Petrobras ou de esconder dinheiro em apartamento. Me acusam por uma fumaça de golpe”, afirmou, numa referência à denúncia da PGR aceita pelo STF em março, que o tornou réu, ao lado de aliados, por tentativa de golpe de Estado.

Contou com a presença de figuras políticas como os governadores Tarcísio de Freitas (SP), Romeu Zema (MG), Cláudio Castro (RJ), Jorginho Mello (SC) e senadores do PL, além de deputados e lideranças do partido. Bandeiras do Brasil, dos EUA e de Israel encheram a cena, enquanto discursos exaltavam Bolsonaro e criticavam o atual governo federal.

‘Se não posso ser presidente, posso mudar o Brasil com vocês’, diz Bolsonaro

O ex-presidente discursou por volta das 15h30. Lembrou a facada sofrida em 2018, atribuiu sua eleição à vontade divina e criticou duramente o STF, dizendo que sua derrota foi influenciada pela “mão pesada” da Corte. Disse ainda que sua transição de governo foi pacífica e elogiada pelo atual vice-presidente, Geraldo Alckmin.

“Se fosse golpe, vocês não estariam aqui hoje. Queremos justiça, pacificação, o bem do Brasil”, declarou. E fez um apelo político: “Se vocês me derem 50% da Câmara e do Senado, eu mudo o destino do país. Nem preciso ser presidente para isso.”

Anistia, críticas ao STF e polarização eleitoral

Tarcísio de Freitas, governador paulista, falou antes de Bolsonaro e defendeu a volta do ex-presidente, além de atacar os juros altos e pedir “anistia e justiça”. Disse que o Brasil foi retirado das urnas, mas que “jamais será retirado do coração do povo”.

Silas Malafaia, por sua vez, usou o palco para criticar a decisão do STF sobre a responsabilização das redes sociais por conteúdos ofensivos ou criminosos.

Réu no STF e alvo de inquéritos

Bolsonaro é investigado por suposta participação em uma articulação golpista para se manter no poder após a derrota em 2022. Em março deste ano, o STF aceitou denúncia da Procuradoria-Geral da República e o tornou réu, junto com mais sete aliados.

No depoimento prestado em 10 de junho, o ex-presidente negou envolvimento com qualquer plano de ruptura institucional e disse que apenas se reuniu com militares por precaução, alegando que exagerou na retórica contra o sistema eleitoral.

Na última sexta-feira (27), a investigação avançou para a fase final, quando a defesa e a acusação apresentarão os argumentos finais antes do julgamento.

Condenações continuam após o 8 de janeiro

Até agora, 497 pessoas já foram condenadas pelo STF por participação nos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023. A maioria foi punida por crimes como golpe de Estado, abolição do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e associação criminosa.

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