
Brasil condena ação dos EUA na Venezuela em discurso na ONU, mas evita citar líderes
Diplomata brasileiro critica ataques e ocupação militar, reforçando defesa do direito internacional
O Brasil voltou a se posicionar contra a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela durante uma sessão do Conselho de Segurança da ONU, realizada nesta segunda-feira (5). Apesar do tom firme, o discurso evitou mencionar diretamente tanto o presidente americano Donald Trump quanto o venezuelano Nicolás Maduro.
Quem falou em nome do país foi o embaixador Sérgio Danese, representante brasileiro na ONU. Ele classificou como ilegais os bombardeios realizados em território venezuelano e a posterior captura do presidente do país, ressaltando que tais ações ferem princípios básicos do direito internacional.
“O Brasil rejeita de forma categórica qualquer intervenção armada na Venezuela. O uso da força, a ocupação militar e a detenção do chefe de Estado ultrapassam um limite inaceitável e representam uma grave violação da soberania venezuelana”, afirmou o diplomata.
Danese destacou que o Brasil defende, de maneira consistente, o respeito às regras que organizam a convivência entre os Estados. Segundo ele, essas normas devem valer para todos, sem exceções motivadas por interesses políticos, econômicos ou estratégicos.
“O uso da força não pode ser justificado por disputas ideológicas nem pela exploração de recursos naturais. Tampouco pode servir como pretexto para impor mudanças ilegais de governo”, acrescentou.
Alerta para o cenário global
Durante o discurso, o embaixador também ampliou o debate ao citar outros conflitos em curso no mundo, como a guerra em Gaza. Ele alertou para o aumento da violência internacional, lembrando que mais de 117 milhões de pessoas vivem atualmente em situação de emergência humanitária e que existem 61 conflitos armados ativos, o maior número desde a Segunda Guerra Mundial.
Danese observou ainda que os gastos militares globais se aproximam de US$ 2,7 trilhões, um sinal preocupante de enfraquecimento da cooperação internacional.
“A normalização de ações desse tipo tende a aprofundar o caos, a violência e a desordem global, corroendo o multilateralismo e enfraquecendo as instituições internacionais”, concluiu.