
CPMI do INSS vira novela: sessão é cancelada após “combo” de atestado e habeas corpus
Depoentes usam justificativas para escapar da oitiva, e comissão adia mais um capítulo do escândalo que abalou o INSS
A segunda-feira que prometia movimentar a CPMI do INSS terminou em mais um daqueles episódios dignos de roteiro repetido: ninguém depôs.
A sessão marcada para 14h30 foi cancelada depois que Jucimar Fonseca da Silva, ex-coordenador de Pagamentos e Benefícios do INSS, apareceu não com explicações — mas com atestado médico.
Já o empresário Thiago Schettini, apontado como um dos articuladores do esquema, chegou antes… pelo habeas corpus que garantiu o direito de não ir.
E assim, mais uma oitiva evaporou antes mesmo de começar.
O escândalo que não para de crescer
A crise no INSS veio à tona após uma série de reportagens do Metrópoles publicada a partir de dezembro de 2023. A investigação revelou que entidades ligadas a aposentados haviam multiplicado suas arrecadações, batendo a marca absurda de R$ 2 bilhões em um ano, enquanto choviam processos por fraudes em filiações.
Foram 38 reportagens listadas pela Polícia Federal na investigação que deu origem à Operação Sem Desconto, deflagrada em abril. A operação detonou um terremoto político que acabou derrubando o presidente do INSS e até o ministro da Previdência, Carlos Lupi.
Convocações, suspeitas e o sumiço temporário
Jucimar, agora afastado do órgão desde julho, já tinha 11 pedidos de convocação na CPMI. Entre as suspeitas, está a assinatura de uma nota técnica que liberou em massa descontos associativos para uma das entidades envolvidas no rombo.
Sem aparecer para explicar, restou à comissão o cancelamento.
Do outro lado, Thiago Schettini, investigado pela PF e ligado a repasses suspeitos de entidades como Unaspub e Prospect Consultoria, também escapou — mas com aval judicial. O empresário é apontado como um dos facilitadores das fraudes, num esquema que ainda envolve figuras como o famoso Careca do INSS.
E a CPMI segue… ou tenta seguir
O presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), já havia solicitado a presença dos dois depoentes. Mas, com atestado de um lado e habeas corpus do outro, a reunião virou mais um dia perdido no calendário da CPMI.
Enquanto isso, o cidadão que paga a conta assiste à investigação tropeçar em ausências, brechas e adiamentos — praticamente um manual de como atrasar a verdade.