
Brasil ignora, Trump silencia: tarifaço de 50% está prestes a cair como bomba sobre exportações
Governo Lula tenta abrir diálogo com EUA, mas silêncio da Casa Branca indica que sobretaxa entra em vigor já nesta sexta-feira
A contagem regressiva começou, e o clima em Brasília é de frustração e impasse. A menos de 72 horas do início das novas tarifas americanas, o governo brasileiro ainda não conseguiu abrir um canal efetivo de diálogo com Washington. Tudo indica que o chamado “tarifaço” — um aumento de 50% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos — vai mesmo sair do papel nesta sexta-feira (1º).
O que mais incomoda o Palácio do Planalto é o silêncio absoluto da Casa Branca. Desde que o presidente Donald Trump anunciou o pacote de sobretaxas no início de julho, todas as tentativas de contato foram ignoradas, com exceção de uma conversa telefônica protocolar entre o vice-presidente Geraldo Alckmin e o secretário de Comércio dos EUA, Howard Lutnick. O conteúdo da ligação, aliás, segue em segredo.
Na avaliação do Itamaraty, não há mais tempo hábil para reverter a decisão, já que nenhuma sinalização positiva partiu dos norte-americanos — nem mesmo diante da disposição do chanceler Mauro Vieira de ir pessoalmente a Washington. Vieira está em Nova York, participando de uma reunião da ONU sobre a Palestina, mas já deixou claro ao governo Biden que toparia um encontro direto com autoridades como Marco Rubio ou Jamieson Greer. A resposta? Nenhuma.
Brasil no prejuízo
O Brasil é, curiosamente, o único país da lista de tarifados que tem déficit na balança comercial com os Estados Unidos — ou seja, mais importa do que exporta. Ainda assim, foi incluído por Trump na leva de países punidos com o argumento de “vantagem injusta”, algo que nem os números sustentam.
Outros motivos alegados por Trump para retaliar o Brasil envolvem diretamente a política interna: a perseguição judicial a Jair Bolsonaro e a atuação do STF na regulação das big techs. Um gesto interpretado por diplomatas como interferência direta nos assuntos internos brasileiros.
Senadores em missão paralela
Uma comitiva de senadores brasileiros também está nos Estados Unidos tentando costurar um acordo nos bastidores. O grupo busca contato com parlamentares e empresários americanos para pressionar por uma saída diplomática. Mas, até agora, nada concreto saiu dessas articulações.
Segundo interlocutores do governo Lula, o objetivo é focar o debate na pauta comercial — especialmente no fornecimento de materiais estratégicos como lítio, nióbio e terras raras, que os EUA querem garantir em meio à corrida tecnológica com a China.
Mas Trump já avisou: o futuro das tarifas está diretamente ligado ao tratamento que o Brasil dará a Bolsonaro. Ou seja, além de taxas, o Brasil está sendo forçado a entrar em um jogo geopolítico com regras obscuras — e sem ter tido direito sequer a conversar.