“Brasil parecia Gaza após Bolsonaro”, diz Lula em entrevista com Mano Brown

“Brasil parecia Gaza após Bolsonaro”, diz Lula em entrevista com Mano Brown

Presidente compara cenário deixado pelo governo anterior a uma zona de guerra e defende reformas, reeleição e regulamentação das redes sociais

Durante uma conversa de mais de duas horas com o rapper Mano Brown e a jornalista Semayat Oliveira no podcast Mano a Mano, publicada nesta quinta-feira (19/6), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez uma declaração forte: comparou o estado do Brasil após o governo de Jair Bolsonaro ao cenário de destruição da Faixa de Gaza.

“Às vezes, olho as imagens da Faixa de Gaza e lembro do Brasil que a gente encontrou. Acabaram com o Ministério do Trabalho, de Direitos Humanos, Igualdade Racial, Cultura… foi uma destruição planejada”, disse Lula, demonstrando indignação com o que considera o desmonte institucional promovido pelo ex-presidente.

A entrevista, que marca sua segunda participação no podcast, permitiu um tom mais descontraído. Sem fugir de temas políticos, Lula reconheceu as dificuldades de governar com minoria no Congresso:

“Meu partido elegeu 70 deputados. O Congresso tem 513. É simples: ou a gente faz acordos, ou não consegue governar.”

Sem citar diretamente os conflitos internacionais, o presidente preferiu focar nas ações de seu governo e nos desafios internos. Um dos temas que mais enfatizou foi a necessidade de regulamentar as redes sociais, que segundo ele, representam um risco à democracia se continuarem sem controle:

“Se não houver regulação, ficamos vulneráveis.”

Lula também confirmou que deve ser candidato novamente em 2026. Ao ser questionado sobre possíveis adversários — como os governadores Romeu Zema (MG), Tarcísio de Freitas (SP) e Ratinho Jr. (PR) —, respondeu com confiança:

“Podem escolher quem quiserem. Se eu for candidato, é para vencer.”

Na reta final da conversa, anunciou novas medidas do governo, como uma linha de crédito para reforma de moradias, outra para a compra de motos elétricas por entregadores e a promessa de incluir o gás de cozinha na cesta básica até o fim do ano — o que beneficiaria cerca de 17 milhões de famílias.

A entrevista mostra um Lula à vontade, reforçando sua narrativa de reconstrução do país, mas sem perder de vista os embates políticos que o aguardam.

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