Brasil reage ao tarifaço de Trump e aciona a OMC — decisão final está nas mãos de Lula

Brasil reage ao tarifaço de Trump e aciona a OMC — decisão final está nas mãos de Lula

Consulta internacional é o primeiro passo para uma possível disputa comercial com os EUA; Camex já deu sinal verde

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, confirmou nesta segunda-feira (4) que o Conselho da Camex aprovou o pedido para que o Brasil questione, na Organização Mundial do Comércio (OMC), a taxa de 50% imposta pelo presidente norte-americano Donald Trump a diversos produtos brasileiros.

Agora, a palavra final sobre quando e como levar o caso oficialmente à OMC será do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo Alckmin, essa consulta é o primeiro passo para abrir uma disputa comercial formal com outro país membro. “Está aprovado. O presidente Lula vai decidir como e quando apresentar”, afirmou, após nova reunião com representantes do setor produtivo.

O objetivo é tentar resolver o impasse de forma negociada. Caso não haja acordo, o Brasil poderá pedir a criação de um painel para avaliar a legalidade da medida.

Trump e o tarifaço
No fim de julho, Trump oficializou a tarifa de 50% sobre vários itens brasileiros, mas manteve uma lista de exceções, como suco de laranja, aviões comerciais, petróleo e minério de ferro. Produtos como carne bovina, café e cacau, que representam peso nas exportações brasileiras, não escaparam da sobretaxa.

Alckmin disse que as negociações desde março ajudaram a reduzir o impacto da medida. “Conseguimos preservar 65% das exportações, que no ano passado renderam US$ 40 bilhões. Mas não há justificativa para esse tarifaço”, criticou.

Plano de contingência
O governo prepara medidas para proteger os setores mais prejudicados, incluindo linhas de crédito e possíveis compras governamentais. Segundo o vice-presidente, o plano será concluído “em questão de dias”.

“Conosco não tem cheque pré-datado, é Pix: resolveu, pagou”, brincou Alckmin.

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