
Brisa na corda bamba: comissão aprova cassação e PT vê mais um escândalo estourar
Caso envolvendo verba pública para evento político segue ao plenário — e acende um alerta: não dá mais para varrer abusos para debaixo do tapete
A novela política em Natal ganhou mais um capítulo tenso — e nada simpático para o PT. A Comissão Especial Processante da Câmara aprovou, nesta segunda-feira (17), o parecer que pede a cassação do mandato da vereadora Brisa Bracchi (PT), após acusações de uso irregular de R$ 18 mil de emenda impositiva para financiar um evento de comemoração à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
O relator Fulvio Saulo (Solidariedade) já havia dado parecer favorável na semana passada. Agora, com o voto da presidente da comissão, Anne Lagartixa, o processo segue direto para o julgamento final em plenário, marcado para esta terça-feira (18). O único voto contrário foi do vereador Daniel Valença (PT), que classificou tudo como “perseguição”.
O caso: dinheiro público, evento político e um rastro que não pode ficar sem resposta
O pedido de cassação foi protocolado em agosto pelo vereador Matheus Faustino (União), que apontou uma irregularidade básica e gritante: verba pública não pode ser usada para promover evento político, muito menos para celebrar a prisão de um adversário.
Simples assim.
Mas aparentemente, para alguns, o óbvio precisa ser desenhado.
Pelas regras da Câmara, Brisa e o denunciante não poderão votar. Já Matheus será substituído por seu suplente, Albert Dickson. O jurídico da casa ainda indicou que a suplente de Brisa, Júlia Arruda, também deve ser convocada.
O que disse cada membro da comissão
Fulvio Saulo — voto a favor da cassação
O relator foi direto:
Mesmo que os artistas tenham recusado receber o cachê, isso não apaga o uso indevido do dinheiro público.
Para ele, o erro é cristalino: a vereadora custeou um ato político com recursos da população.
E ponto.
Daniel Valença — voto contra
Para Valença, tudo não passa de “violência política de gênero” e perseguição ao PT.
Ele afirma que a vereadora seguiu as regras, que a Funcarte fiscalizou e aprovou, e que nada teve caráter partidário.
Segundo ele, o relatório “não responde à denúncia” e seria uma “aberração”.
Anne Lagartixa — voto a favor
A presidente da comissão destacou que analisou tudo “com calma” e que, com base nos depoimentos e documentos, ficou claro que houve irregularidade sim.
Segundo ela, os detalhes do evento — cartazes, pulseiras, vídeos e até a data usada para marcar a comemoração da prisão — reforçam que se tratava de um ato político financiado com verba pública.
E isso não pode passar batido.
A defesa de Brisa
A vereadora afirma que tudo é perseguição política, que o relator ignorou seus argumentos e que confia que o plenário fará “justiça”.
Ela diz ter uma defesa “técnica e sólida” e pediu mobilização popular.
O alerta que fica — e que não dá mais para ignorar
O uso político do dinheiro público virou rotina, e o PT finge que não é com ele. Mas desta vez, não ficará impune.
Independentemente do resultado no plenário, o episódio deixa uma marca profunda:
a confiança no uso responsável do dinheiro público está mais uma vez sendo testada — e pelos mesmos atores de sempre.
Sim, o PT pode gritar perseguição. Pode falar em democracia, em narrativas, em injustiça.
Mas há um fato que ninguém apaga: verba pública foi usada em um evento político, e isso exige consequências.
Não dá mais para transformar a máquina pública em braço de militância, nem para pintar como “perseguição” aquilo que é, no mínimo, uma grave irregularidade administrativa.
A sociedade está cansada — e vigilante.
A Câmara, desta vez, terá a chance de mostrar se está do lado da população ou da velha prática de “passar pano”.