Irmão de ministro do STM cai no radar da Farra do INSS

Irmão de ministro do STM cai no radar da Farra do INSS

Servidor aposentado recebeu mais de R$ 730 mil de grupo investigado por fraudar aposentados, em movimentações que ignoram qualquer lógica financeira

O escândalo da Farra do INSS ganhou um novo capítulo — e dos mais incômodos para o alto escalão do Judiciário. Francisco Joseni Parente Camelo, servidor público aposentado, irmão do atual vice-presidente do Superior Tribunal Militar (STM), apareceu como beneficiário de pelo menos R$ 731 mil transferidos por um dos investigados centrais do esquema.

Os pagamentos partiram de José Lins de Alencar Neto e de sua empresa, a AAPEN Processamento de Dados Cadastrais LTDA. José Lins é apontado pela Polícia Federal como verdadeiro controlador da Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB) — entidade que teve R$ 191 milhões bloqueados pela Justiça por envolvimento nas fraudes que drenaram dinheiro de aposentados.

Entre as transações suspeitas, estão dois PIX robustos:
— Um de R$ 385 mil, enviado diretamente por José Lins em 5 de novembro de 2024;
— Outro de R$ 346,5 mil, feito pela empresa AAPEN.

As operações vieram à tona no Relatório de Inteligência Financeira (RIF) produzido pelo COAF e repassado à CPMI do INSS. O documento expõe que Joseni movimentou valores completamente descolados de sua renda mensal, de cerca de R$ 31 mil. Só em outubro de 2024, ele movimentou mais de R$ 720 mil em créditos e R$ 717 mil em débitos — cifras que não se explicam por nenhum padrão financeiro razoável.

A coluna tentou contato com Joseni, mas não obteve resposta.

Pressão no Congresso

Diante dos novos dados, a deputada Adriana Ventura (Novo-SP) solicitou a convocação de Joseni para depor na CPMI. Para a parlamentar, o vínculo familiar com um ministro do STM torna a situação ainda mais grave.

Segundo ela, a relação direta de um parente de alta autoridade do Judiciário Militar com suspeitos de fraudar aposentados exige investigação profunda e transparente:
“É um alerta vermelho. São movimentações incompatíveis com a renda e ligadas ao coração do esquema”, afirmou.

Ventura reforçou:
“Quando o irmão do vice-presidente do STM aparece conectado a um esquema que rouba aposentados, a CPMI tem a obrigação moral de ir até o fim.”

O caso reacende a indignação pública: enquanto aposentados lutam para receber o mínimo, o dinheiro circula livremente em PIX de centenas de milhares de reais — sempre em torno dos mesmos nomes e das mesmas entidades “de fachada” que lucraram com a vulnerabilidade dos mais pobres.

Fonte e Créditos: Metrópoles

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