
Câmara de SP gasta milhões com reembolso médico; servidores chegam a receber até R$ 14 mil por mês
Enquanto funcionários contam com vale de R$ 93 por dia e R$ 2 mil mensais em alimentação, a Casa já torrou R$ 57 milhões apenas em reembolsos de saúde em 2024
A Câmara Municipal de São Paulo virou exemplo de como o dinheiro público pode bancar benefícios generosos. Só em reembolso médico, cada servidor pode receber até R$ 14 mil em um único mês, valor que fez a conta do Legislativo paulistano chegar a R$ 57 milhões em 2024.
E não para por aí: além da ajuda para despesas médicas, os servidores ainda recebem vale-refeição diário de R$ 93 e vale-alimentação de R$ 2 mil mensais.
Em julho, por exemplo, 1.940 funcionários da Casa usaram o benefício da saúde, consumindo R$ 5,9 milhões do orçamento. A média mensal é de R$ 2,9 mil por servidor, mas há casos de reembolsos que superam os R$ 10 mil, especialmente quando entram dependentes na conta.
Os limites de reembolso, que já eram altos, ficaram ainda mais robustos em 2025: para quem tem até 18 anos, subiram de R$ 654 para R$ 798; já para os servidores com mais de 59 anos, o teto saltou de R$ 5,8 mil para R$ 7,1 mil — um reajuste de 22%.
Estrutura de saúde dentro da própria Câmara
Mesmo com todo esse gasto, os servidores não ficam desamparados dentro da Casa. O prédio conta com um ambulatório completo, com médicos, enfermeiros e especialistas que realizam exames, atendimentos de urgência e consultas básicas. Só em julho, foram R$ 10 mil em insumos e exames, além de uma folha salarial de R$ 314 mil para os profissionais de saúde que atuam no local.
Novos privilégios no horizonte
E os custos podem aumentar. Em junho, a própria Mesa Diretora aprovou uma lei que abre espaço para convênios de saúde. Quem não quiser aderir ao sistema conveniado poderá receber reembolso integral da Câmara para qualquer plano escolhido, sem limite de valor.
A medida já gerou atritos internos, incluindo uma agressão envolvendo o secretário-geral administrativo da Casa e o procurador-geral.
Reajustes acima da inflação
Enquanto isso, os servidores da Câmara tiveram reajuste salarial de 5,06% em abril — acima do aumento dado aos servidores municipais, que ficou em duas parcelas de 2,6% e 2,55%. Também houve um aumento de 9,41% no vale-refeição, quase o dobro da inflação registrada no período.
Somando todos os benefícios, o custo é astronômico: o vale-alimentação da Câmara consome R$ 123 milhões por ano, e outros R$ 80 milhões estão reservados para benefícios assistenciais.