Careca, Cofre e Corte Militar

Careca, Cofre e Corte Militar

💸 Pagamento suspeito, ministra indicada por Lula e o velho escândalo que nunca sai de cena

No Brasil, quando o assunto é escândalo político, a criatividade parece não ter limites. Desta vez, o enredo mistura INSS, uma empresa milionária, um personagem apelidado de “Careca do INSS” e uma ministra indicada por Lula. Tudo isso temperado com um pagamento de R$ 700 mil que chamou a atenção do Coaf e da CPMI do INSS.

A história gira em torno do empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido nacionalmente como o Careca do INSS, apontado como um dos principais articuladores de um esquema de descontos ilegais em aposentadorias e pensões. Atualmente preso em Brasília, ele teria usado empresas de fachada para movimentar cifras milionárias longe dos radares — embora, desta vez, o radar tenha apitado.

Segundo relatórios de inteligência financeira, uma dessas empresas, a ACX ITC Serviços e Tecnologia S/A, pagou R$ 700 mil em parcela única ao escritório da advogada Verônica Abdalla Sterman, que pouco tempo depois assumiria o cargo de ministra do Superior Tribunal Militar (STM) — por indicação direta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O detalhe curioso (ou constrangedor, dependendo do ponto de vista) é que não há registros de atuação do escritório da ministra em processos ligados à empresa nem ao empresário. Ainda assim, o dinheiro entrou, saiu e foi parar no lugar certo — pelo menos do ponto de vista bancário.

A conta da ACX ITC, aberta no Banco do Brasil em São Caetano do Sul (SP), movimentou nada menos que R$ 266,6 milhões em apenas cinco meses. Um valor respeitável para uma empresa que, segundo a Polícia Federal, servia justamente para dificultar o rastreamento do dinheiro do esquema do INSS.

Indicada por Lula em setembro e empossada em 2025, Verônica Sterman já era conhecida no meio jurídico e político. Antes de vestir a toga, foi advogada de figuras de peso do PT, como Gleisi Hoffmann, Paulo Bernardo e até do vice-presidente Geraldo Alckmin. Apoios que ajudaram a pavimentar seu caminho até os tribunais superiores.

Diante da repercussão, a ministra se manifestou. Disse que não conhece o “Careca do INSS”, que desconhecia qualquer vínculo da empresa com ele e que o pagamento se referia à elaboração de três pareceres jurídicos na área criminal, feitos quando ainda atuava como advogada. Tudo, segundo ela, dentro da legalidade.

Legal ou não, o episódio reforça uma velha tradição brasileira: escândalos que surgem sempre antes, durante ou depois de nomeações políticas, especialmente quando o nome de Lula aparece no centro do palco. Coincidência? Para alguns, sim. Para outros, apenas mais um capítulo do eterno teatro político nacional.

Enquanto isso, aposentados seguem tentando entender por que seus benefícios encolhem, empresas movimentam milhões em silêncio, e Brasília continua provando que, quando o assunto é poder, ninguém nunca está longe demais do escândalo.

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