
Lula vai à carga no Acre: chama oposição de “traidora da pátria” e defende Moraes contra impeachment
Em mais um discurso inflamado, presidente ataca parlamentares que ocuparam mesas do Congresso, pede a senador que não assine contra Moraes e manda recado duro aos EUA: “Respeitem a soberania do Brasil”
Em Rio Branco, no Acre, Lula subiu no palanque já com o dedo em riste e a mira apontada para a oposição. No seu estilo direto — que sempre encontra um jeito de cutucar a direita —, o presidente classificou como “verdadeiros traidores da pátria” os parlamentares que, no início da semana, ocuparam as mesas diretoras da Câmara e do Senado em protesto.
O estopim do motim foi a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de colocar o ex-presidente Jair Bolsonaro em prisão domiciliar. Lula não deixou passar: pediu, ali mesmo, para o senador acreano Sérgio Petecão não assinar o pedido de impeachment contra Moraes. “Ele está defendendo a democracia”, disse, antes de virar a artilharia contra os opositores: “Quem devia ter impeachment são esses deputados e senadores que tentam travar o Congresso”.
O clima já estava quente, mas Lula aproveitou para mirar também na Casa Branca. Irritado com as tarifas de 50% impostas por Donald Trump sobre boa parte das exportações brasileiras — um tarifaço que atinge quase 36% do que o Brasil vende aos EUA —, o presidente mandou um recado nada sutil: “O presidente dos Estados Unidos precisa aprender a respeitar a soberania deste país e a autonomia do nosso Judiciário”.
Entre promessas de proteger exportadores, anúncios de obras na BR-364 e investimentos milionários em energia, educação e regularização fundiária, Lula ainda deu uma cutucada diplomática: contou que vai ligar para a China para vender US$ 1 bilhão em pés de frango parados após a gripe aviária.
No Acre, o evento também serviu para assinar contratos que vão do abastecimento de água potável para comunidades amazônicas a programas de agricultura familiar com povos indígenas. Mas, no meio de tantos anúncios, o que ficou ecoando mesmo foi o ataque direto à oposição — mais um capítulo da longa guerra política que Lula nunca perde a chance de alimentar.