
Cármen Lúcia cobra Lula e Alcolumbre sobre mudanças na Lei da Ficha Limpa
Ministra do STF dá prazo de cinco dias para explicações sobre alterações contestadas por afrouxarem punições a políticos condenados. Rede Sustentabilidade questiona o retrocesso na lei que nasceu para barrar corruptos.
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu um ultimato ao governo Lula e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre: ambos têm cinco dias para explicar as mudanças feitas na Lei da Ficha Limpa, recentemente aprovadas e sancionadas sob duras críticas.
A decisão foi tomada no âmbito de uma ação movida pela Rede Sustentabilidade, que acusa o Congresso e o Executivo de distorcerem o espírito original da lei, criada para impedir que políticos condenados por corrupção e improbidade voltassem a ocupar cargos públicos.
As alterações, segundo especialistas, abriram brechas para flexibilizar punições e permitir o retorno de nomes antes barrados pela Justiça eleitoral. A medida gerou indignação entre juristas e movimentos de combate à corrupção, que veem o episódio como um grave retrocesso ético e democrático.
Com o prazo correndo, o STF agora será o palco onde se decidirá se a Lei da Ficha Limpa — símbolo de moralização da política — será preservada ou esvaziada de vez. Enquanto isso, Brasília segura a respiração e observa: quem está, afinal, com a ficha realmente limpa?