STF condena 9 dos 10 réus do núcleo 3 da trama golpista

STF condena 9 dos 10 réus do núcleo 3 da trama golpista

Apenas o general Estevam Theophilo foi absolvido; ministros destacam organização criminosa e atuação coordenada do grupo

BRASÍLIA – A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta terça-feira (18/11) pela condenação de nove dos 10 réus do chamado núcleo 3 da trama golpista, conhecido como grupo dos “kids pretos”. Os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia absolveram apenas o general Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira.

Os demais réus foram condenados pelos cinco crimes imputados pela Procuradoria-Geral da República (PGR), incluindo organização criminosa, associação criminosa e incitação pública contra os poderes constitucionais. Para Ronald Ferreira de Araújo Júnior e Márcio Nunes de Resende Júnior, a condenação foi aplicada apenas pelos crimes de incitação de animosidade das Forças Armadas e associação criminosa.

“Estamos falando de uma organização criminosa, de um grupo que se une, mesmo sem se reunir fisicamente, mas coordenado em diferentes lugares para alcançar um objetivo criminoso”, afirmou a ministra Cármen Lúcia.

O grupo é formado por 10 acusados:

  • General Estevam Cals Theophilo Gaspar de Oliveira – acusado de apoiar planos golpistas e incentivar Jair Bolsonaro a assinar decreto de ruptura institucional;
  • Tenente-coronel Hélio Ferreira Lima – envolvido na criação de planilha detalhando etapas do golpe e planejamento de ataques a Lula, Alckmin e Moraes;
  • Tenente-coronel Rafael Martins de Oliveira – monitorava autoridades e participou de reunião com Braga Netto sobre mobilização popular;
  • Tenente-coronel Rodrigo Bezerra de Azevedo – integrante do grupo de neutralização de autoridades;
  • Coronel Bernardo Romão Corrêa Netto – participou de reunião em Brasília para pressionar generais a apoiar o golpe;
  • Coronel Fabrício Moreira de Bastos – atuou na pressão sobre comandantes militares;
  • Coronel Márcio Nunes de Resende Júnior – redigiu carta para convencer a cúpula das Forças Armadas a apoiar a ruptura democrática;
  • Tenente-coronel Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros – colaborou na redação da mesma carta;
  • Tenente-coronel Ronald Ferreira de Araújo Júnior – acusado de incitação ao crime e de fomentar animosidade das Forças Armadas;
  • Agente da Polícia Federal Wladimir Matos Soares – monitorava Lula e repassava informações sobre sua segurança a aliados de Bolsonaro.

O julgamento continua com a manifestação do ministro Flávio Dino, presidente da Primeira Turma, e deve definir de forma definitiva a responsabilização do grupo.

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