
“Sofro degredo no próprio país”, diz Paulo Figueiredo sobre decisão de Moraes
Jornalista afirma que perdeu passaporte brasileiro em 2022 e critica o que considera ataque à liberdade de imprensa
Em entrevista ao programa Contexto Metrópoles nesta segunda-feira (25/08/2025), o jornalista e influenciador Paulo Figueiredo afirmou que está sendo punido com uma espécie de “degredo” pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, desde que teve seu passaporte brasileiro confiscado em 2022.
O termo “degredo”, que historicamente se refere à expulsão de alguém de seu país, é extinto no Brasil desde os tempos coloniais, mas Figueiredo o usa para descrever sua situação: “Não tenho nem passaporte para voltar ao Brasil. Se eu quiser retornar, não tenho como me apresentar à Polícia Federal”, disse. Ele não detalhou se possui outro passaporte que lhe permita viajar ao país.
Segundo ele, a medida foi aplicada sem nenhum processo ou condenação: “Estou desde 2022 cumprindo uma pena que não existe mais”, afirmou. Figueiredo ressaltou o impacto da situação sobre a percepção de democracia no país: “Como alguém pode negar que há autoritarismo quando um jornalista é punido dessa forma?”.
Além disso, Figueiredo comentou sobre a divulgação de uma carta que circulava entre grupos das Forças Armadas e que o levou a ser investigado. Ele alega que a informação era de interesse público e que a criminalização da divulgação demonstra uma distorção da liberdade de imprensa.
O jornalista também falou sobre os bastidores das negociações envolvendo Eduardo Bolsonaro e a chamada “anistia light” para os presos do 8 de janeiro, afirmando que os diálogos mostram que Eduardo defendia uma medida mais ampla, ao contrário do que se especulava.
Sobre a aplicação da Lei Magnitsky nos Estados Unidos contra Moraes, Figueiredo detalhou que o objetivo é limitar os movimentos e ativos do ministro, incluindo proibições sobre mídias sociais, contas bancárias e até relações com hotéis e companhias aéreas americanas. Ele explicou que a estratégia também busca atingir familiares e sócios do ministro que ainda lhe oferecem suporte financeiro.
Paulo Figueiredo, neto do ex-presidente da ditadura militar João Figueiredo, atualmente vive na Flórida, nos Estados Unidos, e apresenta o programa Paulo Figueiredo Show, transmitido diariamente pela internet. Ele é investigado pela Procuradoria-Geral da República por suposta participação em um plano de golpe de Estado entre 2022 e 2023, acusado de atuar como porta-voz para influenciar militares.