
Cármen Lúcia relatora? A Justiça “blindada” busca consertar erro de Moraes — ou só se protege mais uma vez
Ministra assume ação que tenta derrubar decisão de Alexandre de Moraes sobre Tagliaferro — mas todo mundo já sabe como quase sempre vai acabar
No mais recente capítulo da novela judicial que parece nunca ter fim, a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), passou a ser a **relatora de uma ação movida pela defesa de Eduardo Tagliaferro, que tenta anular um ato praticado pelo também ministro Alexandre de Moraes.
Isso mesmo: a quem mais esperávamos que esse caso fosse parar?
Spoiler antecipado: é lógico que vai sobrar demais para quem ousou enfrentar, ainda que formalmente, o sistema… porque, convenhamos, todo mundo sabe como essa história normalmente termina.
O que está em jogo — e por que isso levanta sobrancelhas
A ação questiona um ato de Moraes no qual ele teria citado Tagliaferro por edital em um processo, apesar de a defesa afirmar que o ex-assessor vive na Itália e tem endereço conhecido — algo que, segundo os advogados, tornaria legalmente inadequada essa forma de citação.
Então, na prática:
➡️ Moraes tomou uma medida que, segundo a própria defesa, contraria a lei;
➡️ A defesa recorre ao STF pedindo que essa decisão seja anulada;
➡️ Cármen Lúcia assume o caso como relatora.
O critério para isso não foi sorteio aleatório: foi prevenção, ou seja, a regra interna do tribunal que puxa processos relacionados para quem já está tratando de assuntos parecidos.
Repúdio — porque “justiça” que se blinda sempre cheira a proteção interna
Ora, vamos ser francos… se tem uma coisa que virou prática no Brasil judiciário é o seguinte loop:
📌 Ministro X comete um ato criticado;
📌 Defensores recorrem;
📌 O recurso cai nas mãos de alguém do mesmo grupo ou do mesmo “clube”;
📌 O resultado é previsível como novela das oito.
Não é exatamente uma blindagem, né? É quase um sistema de autorreboque onde, se alguém ousa apontar falhas de um ministro, o caso é engavetado… ou tratado por um colega que dificilmente vai contrariar de verdade o outro. Isso cheira menos a justiça e mais — com ironia — a autoproteção institucional.
E não pense que é exagero: os próprios comentários em matérias sobre o tema já antecipam que “Cármen vai negar o recurso” ou que “ministros se protegem mutuamente” — e isso antes mesmo de um julgamento concreto acontecer.
O desfecho já está na cara do gol?
De verdade, imagine você um tribunal onde:
🔹 O acusado recorre porque uma decisão supostamente ilegal foi tomada.
🔹 O recurso vai parar nas mãos de alguém do mesmo círculo… como se fosse tudo normal.
Pronto — a piada já está pronta.
A ironia fica no ar: os mecanismos que deveriam garantir imparcialidade acabam sendo usados para reforçar a “zona de conforto” entre ministros. Isso não inspira confiança; inspira frustração, sobretudo num país que já vive uma crise de credibilidade no sistema judiciário.