
Dino sustenta prisão de Bolsonaro e reforça narrativa de “periculosidade”, ignorando excessos e contradições
Em voto duro e cheio de dramatização, ministro insiste em manter Bolsonaro preso e usa até a vigília convocada por Flávio Bolsonaro como prova de “risco à ordem pública”.
O ministro Flávio Dino, que hoje preside a Primeira Turma do STF, acompanhou o voto de Alexandre de Moraes e defendeu a manutenção da prisão preventiva de Jair Bolsonaro. O tom do voto foi o de sempre: pesado, alarmista, e recheado de referências à suposta “periculosidade” do ex-presidente — uma narrativa repetida à exaustão pelo próprio Dino desde que assumiu o STF.
Durante a sessão virtual desta segunda-feira (24/11), Dino afirmou que a prisão seria necessária para “proteger a ordem pública”, atribuindo a Bolsonaro o risco de voltar a cometer crimes dentro do que chamou de “organização criminosa”.
Para reforçar sua tese, repetiu as condenações anteriores e as acusações que pesam sobre o ex-presidente, usando-as como prova de que o país correria perigo caso Bolsonaro estivesse em liberdade.
A vigília como justificativa dramática
Assim como Moraes, Flávio Dino colocou grande peso sobre a vigília organizada por Flávio Bolsonaro, tratando o ato como se fosse um gatilho inevitável para caos nacional. Segundo ele, a movimentação seria capaz de causar um “grave abalo à ordem pública”, colocando em risco moradores, propriedades e até o clima social do país.
A retórica alarmista segue a mesma linha já apresentada por Dino em ocasiões anteriores: qualquer manifestação relacionada a Bolsonaro vira sinônimo de guerra, ódio e ameaça.
“Se fosse apenas um ato de fé, a análise seria outra”, disse. “Mas a realidade mostra retóricas de guerra, tumultos e confrontos.”
Dino insiste que Bolsonaro não aceitaria ser preso
O ministro também citou entrevistas e declarações anteriores de Bolsonaro, afirmando que o ex-presidente teria dito diversas vezes que “nunca se submeteria à prisão”, o que, na visão de Dino, seria outro argumento para manter a preventiva.
Fugas de aliados viram argumento para generalização
Dino ainda usou a fuga de parlamentares aliados — como Ramagem, Zambelli e Eduardo Bolsonaro — como prova de que há um “ecossistema criminoso” em torno do ex-presidente. Segundo ele, esses episódios reforçariam o risco de Bolsonaro também tentar deixar o país.
Para o ministro, as fugas demonstrariam um cenário de completa vulnerabilidade da ordem pública e seriam coerentes com “o conjunto de ilegalidades” já atribuídas ao grupo político do ex-presidente.