
“Provocação política”? Rogério Correia reclama… mas só quando a lupa encosta nos aliados certos
Deputado do PT critica convocação de ministros do STF e chama investigação de “lero-lero”, enquanto repete o discurso pronto que o partido usa em todo escândalo
O deputado Rogério Correia (PT-MG) resolveu subir o tom contra a oposição e classificou como “provocação política” qualquer tentativa de convocar ministros do STF — e até familiares de magistrados — para prestar esclarecimentos no Congresso sobre suspeitas envolvendo fraudes e quebras de sigilo ligadas ao caso do Banco Master e às investigações da CPMI do INSS.
A declaração foi dada após o presidente da CPMI, o senador Carlos Viana (Podemos-MG), pedir uma audiência com o ministro Dias Toffoli, do Supremo, para tratar da devolução de dados referentes às quebras de sigilo do empresário Daniel Vorcaro e do Banco Master ao colegiado.
Mas, na prática, o recado de Rogério foi bem claro: quando o assunto chega perto do STF, aí vira “provocação” — e pronto, acabou a conversa.
A “lei” do Rogério: investigar pode… desde que não encoste no STF
Rogério Correia disse que nem viu requerimento formal, mas já tratou de carimbar tudo como “mais uma provocação do bolsonarismo”, aquele rótulo automático que o PT cola em qualquer coisa que incomode.
Segundo ele, a oposição estaria tentando enfraquecer o Judiciário com o “lero-lero de sempre”.
Só que fica difícil engolir esse discurso sem rir de nervoso: quando a cobrança é em cima de adversário político, o PT adora CPI, adora holofote e adora “rigor”.
Agora, quando a investigação começa a rondar o Supremo, vira ataque à democracia, vira provocação, vira perseguição, vira tudo… menos investigação legítima.
É aquele papo repetido, reciclado, igual papagaio: muda o escândalo, mas a desculpa é sempre a mesma.
Enquanto isso, a oposição quer quebra de sigilo de esposa de Moraes
Paralelamente, os senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e Magno Malta (PL-ES) apresentaram requerimento para quebrar sigilos bancário e fiscal da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, no âmbito da CPI do Crime Organizado.
E aí você já imagina o roteiro:
📌 se é aliado do sistema, vira “absurdo”;
📌 se é adversário, vira “necessário”.
Rogério aponta “os verdadeiros alvos”: Banco Central, BRB e Ibaneis
Para o deputado, o foco da CPMI deveria estar na responsabilidade das instituições financeiras e dos agentes públicos ligados ao crédito consignado irregular. Ele defendeu ouvir nomes como:
- Roberto Campos Neto (ex-presidente do Banco Central)
- Paulo Henrique Costa (ex-presidente do BRB)
- Ibaneis Rocha (governador do DF)
Segundo Rogério, “esses sim” deveriam ser ouvidos porque estariam diretamente ligados ao tema.
Ou seja: investigar pode… desde que seja do lado “certo”.
E o lado “certo”, curiosamente, é sempre o que não constrange o STF e nem bagunça o discurso oficial.
Igrejas e pastores entram no radar — e Rogério diz que há indícios graves
O deputado ainda afirmou que o esquema investigado pode envolver pastores e igrejas, e disse já ter apresentado requerimentos para que essas pessoas prestem depoimento.
Ele também destacou que os documentos relacionados à quebra de sigilo de Daniel Vorcaro seriam essenciais e poderiam apontar até lavagem de dinheiro, mencionando inclusive a Igreja Lagoinha como exemplo de local que poderia aparecer nas investigações.
Transparência? Só quando convém
Sobre documentos mantidos sob sigilo pelo STF, Rogério disse que o segredo só se justifica se for necessário para preservar investigações em andamento, especialmente da Polícia Federal. Fora isso, ele defendeu que os dados sejam abertos.
Mas é aquela transparência com “modo seletivo” ativado:
quando interessa, abre.
quando incomoda, segura.
quando pega mal, chama de “provocação política”.
O governo diz que está “corrigindo” fraudes de 2019 a 2024
Rogério também afirmou que o governo tem adotado medidas para conter irregularidades, incluindo mudanças no Meu INSS para ampliar o controle do crédito consignado e reduzir margens de lucro. Segundo ele, a devolução dos valores descontados indevidamente estaria em fase final.
Ele ainda reforçou que as fraudes teriam ocorrido entre 2019 e 2024 e que agora estariam sendo corrigidas.
Repúdio: o PT finge que investiga, mas treme quando o alvo é o “andar de cima”
O problema é que o discurso do Rogério Correia não soa como preocupação com a verdade — soa como proteção preventiva.
Porque se a CPMI existe pra apurar fraude, então tem que apurar tudo.
Sem blindagem, sem medo e sem teatrinho.
Mas quando o assunto envolve ministros do STF, aí aparece o velho script do PT:
🎭 “é provocação”
🎭 “é bolsonarismo”
🎭 “é ataque ao Judiciário”
🎭 “é lero-lero”
E pronto: tentam matar a investigação no grito.
No fim, fica o retrato do Brasil de sempre:
a lei funciona com força total pra uns… e com carinho e blindagem pra outros.