
Caso Master: Renan Calheiros envolve Hugo Motta em novo capítulo do escândalo político-financeiro
Presidente da Câmara é acusado de apresentar emenda que teria favorecido interesses ligados ao Banco Master; defesa nega irregularidades
O escândalo envolvendo o Banco Master ganhou um novo desdobramento em Brasília e agora atinge diretamente a Câmara dos Deputados. O senador Renan Calheiros acusou o presidente da Câmara, Hugo Motta, de atuar em favor de interesses ligados ao empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, instituição que está no centro de investigações e suspeitas envolvendo operações financeiras e influência política.
As declarações foram feitas durante uma sessão da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, presidida por Calheiros. Segundo o senador, Motta teria apresentado uma emenda legislativa que beneficiaria empresas ligadas ao mercado de créditos de carbono e ativos ambientais — setor no qual familiares de Vorcaro possuem investimentos.
Emenda sobre créditos de carbono vira alvo de críticas
A proposta mencionada por Renan Calheiros foi incorporada ao projeto que criou o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa. O texto aprovado estabelece que entidades previdenciárias destinem ao menos 1% de suas reservas técnicas para aquisição de ativos ambientais.
Para Calheiros, a medida teria criado um fluxo de recursos favorável a empresas conectadas ao grupo econômico de Daniel Vorcaro.
Durante o discurso, o senador afirmou:
“Essa emenda foi aprovada e sancionada. E a cunhada do presidente da Câmara recebeu R$ 140 milhões do Master a pretexto de empréstimo que venceu, nunca foi cobrado e nunca teve parcela paga.”
O parlamentar também declarou que o principal articulador da proposta teria sido o pai de Daniel Vorcaro, apontado por ele como um dos maiores defensores do chamado “jabuti” inserido no projeto.
Acusações aumentam tensão entre Senado e Câmara
Sem apresentar provas públicas durante a sessão, Renan Calheiros ainda insinuou que outro congressista teria recebido benefícios imobiliários ligados a operadores financeiros associados ao BRB. As declarações elevaram a tensão política em torno do caso e ampliaram a pressão sobre parlamentares ligados ao Banco Master.
Segundo o senador, o caso ainda pode revelar novos envolvidos:
“A crise do Master está escalando e vai escalar cada vez mais. A cada dia temos envolvimento de pessoas em casos mais escabrosos.”
Além das críticas, Calheiros informou ter encaminhado um requerimento ao Ministério da Previdência Social solicitando acesso a auditorias sobre operações financeiras realizadas por fundos de previdência estaduais e municipais que mantiveram relações com o Banco Master.
O objetivo, segundo ele, é investigar possíveis exposições de recursos públicos a estruturas financeiras consideradas suspeitas.
Hugo Motta nega favorecimento e diz que proposta foi “acordo partidário”
Em nota oficial, a assessoria de Hugo Motta negou qualquer irregularidade envolvendo a emenda apresentada pelo parlamentar. Segundo a defesa, o texto foi resultado de um acordo político entre partidos e tinha como finalidade estimular investimentos sustentáveis.
A nota afirma:
“O objetivo é garantir que parte do faturamento do setor de seguros seja voltada para a compra de crédito de carbono como forma de assegurar a aplicação de recursos na sustentabilidade ambiental.”
A assessoria também ressaltou que a proposta foi aprovada tanto pela Câmara quanto pelo Senado, além de posteriormente sancionada pela Presidência da República.
Sobre a acusação envolvendo um suposto empréstimo de R$ 140 milhões à cunhada do deputado, a equipe de Motta afirmou que o presidente da Câmara não possui qualquer relação societária com a empresa mencionada e não pode ser responsabilizado por operações privadas.
Escândalo do Banco Master amplia impacto político em Brasília
O caso Banco Master já vinha envolvendo nomes influentes da política nacional, incluindo os senadores Flávio Bolsonaro e Ciro Nogueira, citados em debates sobre possíveis conexões políticas e pedidos de investigação.
Com as novas acusações, o escândalo passa a atingir diretamente lideranças da Câmara dos Deputados e amplia a pressão por esclarecimentos sobre operações financeiras, influência política e relações entre empresários e integrantes do Congresso Nacional.
Investigação pode ganhar novos capítulos
O episódio aumenta a expectativa sobre possíveis investigações futuras envolvendo fundos de pensão, operações financeiras e influência legislativa. Nos bastidores de Brasília, parlamentares já discutem a possibilidade de novas CPIs e pedidos de auditoria relacionados ao Banco Master.
Enquanto isso, o caso segue alimentando disputas políticas entre governo, oposição e líderes do Congresso, em um cenário que promete novos desdobramentos nas próximas semanas.