PL tenta barrar pesquisa após queda de Flávio Bolsonaro em cenário eleitoral

PL tenta barrar pesquisa após queda de Flávio Bolsonaro em cenário eleitoral

Partido alegou ao TSE que levantamento associou senador ao caso Banco Master e influenciou respostas dos eleitores

O Partido Liberal entrou com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar impedir a divulgação da pesquisa AtlasIntel/Bloomberg que mostrou queda nas intenções de voto do senador Flávio Bolsonaro após a repercussão de áudios envolvendo o empresário Daniel Vorcaro.

O levantamento, divulgado nesta terça-feira, apontou aumento na rejeição ao senador e recuo em cenários eleitorais para a Presidência da República. A reação do PL aconteceu poucas horas antes da publicação oficial dos números.

Partido acusa pesquisa de “induzir” respostas negativas

Na ação apresentada ao TSE, os advogados do partido afirmaram que o questionário utilizado pela AtlasIntel teria sido elaborado de forma “indutora”, criando um ambiente desfavorável para Flávio Bolsonaro antes das perguntas sobre intenção de voto e rejeição.

Segundo o PL, a sequência de perguntas relacionadas ao Banco Master, aos áudios divulgados e às suspeitas envolvendo Daniel Vorcaro teria influenciado emocionalmente os entrevistados.

A defesa do partido argumentou que o levantamento utilizou técnicas conhecidas como “priming”, “framing” e “ancoragem”, mecanismos que poderiam direcionar a percepção do eleitor antes das respostas finais.

Entre os pontos questionados estão perguntas relacionadas ao “medo” de uma eventual eleição de Flávio Bolsonaro e referências a um suposto esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

Áudio sobre filme “Dark Horse” ampliou crise política

A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 18 de maio, período que coincidiu com a divulgação de um áudio publicado pelo site The Intercept Brasil. Na gravação, Flávio Bolsonaro aparece pedindo apoio financeiro a Daniel Vorcaro para o filme Dark Horse, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A repercussão do material provocou forte impacto político nas redes sociais e ampliou o debate sobre a relação entre integrantes do bolsonarismo e empresários ligados ao Banco Master.

Segundo o PL, uma das etapas da pesquisa incluiu até mesmo a reprodução de um áudio relacionado ao caso, o que, para o partido, comprometeria a neutralidade do levantamento.

Pesquisa mostrou crescimento da rejeição

Os números divulgados pela AtlasIntel/Bloomberg indicaram que Flávio Bolsonaro passou a registrar a maior taxa de rejeição entre os pré-candidatos analisados.

O percentual de eleitores que afirmaram não votar no senador “de jeito nenhum” subiu de 49,8% em abril para 52% em maio. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentou leve oscilação no mesmo período.

O levantamento também mostrou queda nas intenções de voto de Flávio tanto em cenários de primeiro quanto de segundo turno. Em uma simulação direta contra Lula, o senador deixou de aparecer em situação de empate técnico e passou a ficar atrás do atual presidente.

PL pede acesso a dados internos da pesquisa

Além de solicitar a suspensão da divulgação, o Partido Liberal pediu acesso aos microdados completos do levantamento, incluindo logs do sistema, plano amostral e detalhes técnicos da aplicação do questionário.

Os advogados do partido afirmaram que a divulgação da pesquisa poderia causar “danos irreversíveis” ao ambiente eleitoral de 2026, especialmente por causa da repercussão negativa gerada pelas manchetes relacionadas ao caso Banco Master.

A sigla também pediu multa contra o instituto responsável e a proibição definitiva da divulgação de perguntas consideradas irregulares pela defesa.

Caso Banco Master segue pressionando cenário político

O episódio aumentou a tensão política em Brasília e ampliou o impacto do caso Banco Master no cenário eleitoral. O tema já mobiliza parlamentares da oposição e da base governista, além de gerar discussões sobre a criação de uma CPMI para investigar possíveis relações entre empresários, bancos e agentes políticos.

Enquanto aliados de Flávio Bolsonaro afirmam que houve tentativa de desgaste político por meio da pesquisa, adversários defendem a legitimidade do levantamento e cobram esclarecimentos sobre os vínculos do senador com Daniel Vorcaro e o financiamento do filme Dark Horse.

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