
Caso Master vira dor de cabeça e faz Lula cogitar futuro de Toffoli no STF
Desgaste no Supremo, silêncio calculado do Planalto e suspeitas em torno do Banco Master colocam o governo em posição desconfortável
Nos bastidores de Brasília, o caso envolvendo o Banco Master tem tirado o sossego do presidente Lula. Segundo relatos de auxiliares próximos, o petista passou a demonstrar incômodo com a permanência de Dias Toffoli à frente do inquérito que apura possíveis irregularidades na instituição financeira. E quando Lula se cala ou fala em tom atravessado, é sinal de que a coisa não tá cheirando bem.
A avaliação no Planalto é que o desgaste já ultrapassou os muros do STF e começa a respingar no governo. Lula, que costuma proteger aliados até onde dá, agora parece medir cada passo. Em conversas reservadas, chegou a levantar a hipótese de Toffoli deixar o tribunal — seja por aposentadoria antecipada, seja por renúncia. Nada oficial, claro. Mas em política, até desabafo conta recado.
O presidente acompanha o caso de perto, mas não demonstra disposição para sair em defesa pública do ministro. Esse silêncio pesa. Nos corredores do poder, a leitura é que Lula teme pagar a conta política de um escândalo que cresce na imprensa e levanta dúvidas sobre a transparência do processo, especialmente pelo nível elevado de sigilo imposto à investigação.
Outro ponto que incomoda — e muito — são as reportagens que ligam familiares de Toffoli a estruturas financeiras relacionadas ao Banco Master. Mesmo sem provas conclusivas contra o ministro, o barulho é suficiente pra levantar suspeita e alimentar a sensação de que o inquérito pode acabar esfriando, daquele jeito que o povo já conhece.
Apesar disso, assessores avaliam que Lula dificilmente faria um movimento explícito para afastar Toffoli da relatoria ou do cargo. O presidente prefere o jogo miúdo, a conversa olho no olho. A ideia, segundo interlocutores, é retomar o diálogo com o ministro e reforçar que as apurações precisam ir até o fim — doa em quem doer.
O problema é que o caso não é simples. O inquérito pode atingir gente de vários lados do tabuleiro político, incluindo aliados do governo e nomes do centrão. Isso torna tudo mais sensível e explica a cautela excessiva do Planalto. No fim das contas, fica a sensação de que Lula tenta se equilibrar numa corda bamba: não quer proteger demais, mas também não quer deixar o STF sangrar — nem ser puxado pra dentro do rolo.