
Em Israel, Eduardo Bolsonaro ataca Lula e pede apoio internacional para Flávio em 2026
Ex-deputado critica postura do governo brasileiro sobre facções criminosas e usa evento internacional para defender o irmão
Durante uma conferência internacional sobre o combate ao antissemitismo, realizada em Jerusalém, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a subir o tom contra o governo Lula. Falando para uma plateia formada por autoridades e representantes internacionais, ele criticou a decisão do Brasil de não classificar facções criminosas como o Comando Vermelho (CV) e o PCC como organizações terroristas — mesmo após pedidos de cooperação feitos pelos Estados Unidos, à época do governo Donald Trump.
Segundo Eduardo, o problema não está na falta de ataques explícitos, mas na estrutura silenciosa do terror. “O fato de não haver atentados visíveis não significa que não existam terroristas”, afirmou. Para ele, países que fazem fronteira com o Brasil, como Argentina e Paraguai, já entenderam essa realidade e tomaram providências — algo que, em sua visão, o governo Lula se recusa a fazer.
O ex-parlamentar ainda alegou que serviços de inteligência internacionais conhecem bem o que acontece nas regiões de fronteira da América do Sul e afirmou que facções brasileiras mantêm vínculos com grupos extremistas como o Hezbollah e a Jihad Islâmica. Também acusou, sem apresentar provas, algumas ONGs de atuarem como fachada para a expansão do crime organizado no país.
Mesmo com o mandato cassado, Eduardo foi apresentado no evento como parlamentar brasileiro. Em seu discurso, disse que o antissemitismo moderno muitas vezes não se mostra de forma explícita. “Hoje ele se esconde atrás de discursos humanitários, de ONGs e até de termos acadêmicos”, afirmou, citando o uso do termo “antissionismo”.
A conferência contou com a presença de autoridades de peso em Israel, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, além de outros representantes internacionais.
Pedido de apoio a Flávio Bolsonaro
Em outro momento de sua fala, Eduardo criticou a saída do Brasil da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, ocorrida em julho de 2025, decisão tomada pelo governo Lula em meio ao prolongamento do conflito em Gaza. Para ele, a retirada não tem justificativa moral, especialmente em um país que abriga a segunda maior comunidade judaica da América Latina.
Quando o mediador do evento classificou Lula como um símbolo de um “socialismo associado ao antissemitismo”, Eduardo concordou e aproveitou o espaço para fazer um apelo político direto: pediu apoio internacional à candidatura de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), à Presidência da República em 2026.
“Vamos derrotá-lo. Meu irmão vai concorrer à Presidência, e eu peço que o apoiem”, declarou. Eduardo ainda mencionou Jair Bolsonaro, afirmando que o pai estaria impedido de disputar eleições por estar preso após condenação relacionada aos atos de 8 de janeiro.