
Catar intercepta mísseis do Irã e impede ataque a base americana
Teerã responde a bombardeios dos EUA com ofensiva que não chegou ao alvo; espaço aéreo foi fechado e clima de guerra se intensifica no Golfo
Na madrugada desta segunda-feira (23), o Catar conseguiu evitar o que poderia ter sido uma tragédia em solo próprio: interceptou mísseis balísticos lançados pelo Irã contra uma base militar dos Estados Unidos instalada no país. A ação do regime iraniano foi uma retaliação direta aos ataques aéreos realizados por Washington no sábado (21), que atingiram três complexos nucleares considerados estratégicos no território iraniano — Fordow, Natanz e Isfahan.
Segundo fontes ouvidas pelo portal Axios, dez mísseis iranianos foram lançados na direção do Catar, e um foi direcionado ao Iraque. Nenhum deles alcançou seus alvos. A rede Fox News relatou que os sistemas de defesa do Catar, com apoio das forças americanas, conseguiram neutralizar todos os projéteis antes que causassem qualquer dano.
As tensões cresceram rapidamente. O governo do Catar, que já havia fechado seu espaço aéreo e cancelado voos da Qatar Airways por precaução, confirmou a interceptação dos mísseis. Em comunicado publicado na rede social X (antigo Twitter), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Majed Al Ansari, classificou o ataque como uma “agressão descarada” e afirmou que o país se reserva o direito de responder “na mesma moeda”, conforme prevê o direito internacional.
A base aérea de Al-Udeid, localizada em território catariano, é uma peça-chave da presença militar dos EUA no Oriente Médio. Com milhares de soldados e equipamentos estratégicos, ela já estava em estado de alerta desde que os confrontos entre Israel e Irã se intensificaram.
Do outro lado, o Irã não negou a autoria do ataque. A agência estatal Tasnim confirmou que a ação foi realizada pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) como resposta aos bombardeios norte-americanos. Autoridades iranianas afirmaram, inclusive, que o Catar foi previamente avisado da ofensiva, numa tentativa — segundo eles — de evitar vítimas civis ou militares.
“O Irã não deixará sem resposta nenhum ataque à sua soberania ou à sua integridade territorial”, afirmou a IRGC em nota oficial.
O episódio eleva ainda mais o risco de o atual conflito se alastrar por toda a região. Na última semana, Israel bombardeou cidades iranianas, como Teerã e Esfahan. Teerã revidou com mísseis lançados contra cidades israelenses, incluindo Tel Aviv, Haifa e Jerusalém. No sábado, os Estados Unidos entraram diretamente no jogo ao atacar instalações nucleares no Irã, o que escalou o nível de tensão no Golfo Pérsico.
O cenário agora é de incerteza, com olhos atentos voltados para o que pode ser um novo e perigoso capítulo de uma guerra que ameaça ultrapassar fronteiras.