Celso Amorim alerta: intervenção dos EUA na Venezuela pode acender fogo na América do Sul

Celso Amorim alerta: intervenção dos EUA na Venezuela pode acender fogo na América do Sul

Assessor especial de Lula reforça críticas às ações de Trump e defende diálogo diplomático para proteger a soberania regional.

Após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticar indiretamente os recentes ataques dos Estados Unidos na região do Caribe e Pacífico, o assessor especial para assuntos internacionais do governo, Celso Amorim, reforçou nesta sexta-feira (24) a posição brasileira: uma possível intervenção externa na Venezuela “pode incendiar a América do Sul” e não pode ser aceita. Lula e Trump devem se encontrar neste fim de semana na Malásia.

“Não podemos aceitar uma intervenção externa, pois isso provocaria um enorme ressentimento. Isso poderia inflamar a América do Sul e levar à radicalização política em todo o continente”, afirmou Amorim em entrevista à AFP.

O assessor destacou que, apesar do tom crítico, o objetivo do governo é manter o diálogo com os Estados Unidos e buscar acordos que beneficiem o Brasil, como a revisão de tarifas comerciais impostas pelo país norte-americano:

“É preciso haver diálogo para encontrar pontos de acordo sobre questões como as rígidas tarifas dos EUA”, disse Amorim, antes do encontro que deve ocorrer paralelamente à cúpula da ASEAN, em Kuala Lumpur.

Amorim, que também foi ministro das Relações Exteriores nos dois primeiros governos de Lula, demonstrou preocupação com os ataques americanos a embarcações suspeitas de tráfico de drogas perto da costa venezuelana, realizados sem provas concretas:

“Atacar navios sem nenhuma prova é uma violação da soberania. Isso cria instabilidade e aumenta o risco de radicalização política na região.”

Lula, por sua vez, já havia feito críticas indiretas aos EUA, lembrando que chefes de Estado não podem agir como se fossem juízes ou executores:

“Você não está aí para matar as pessoas, você está para prender. Antes de punir alguém, é preciso julgar, ter provas. Não se pode simplesmente invadir o território de outro país. É preciso respeitar a Constituição, a autodeterminação dos povos e a soberania territorial.”

O presidente ainda sinalizou que pretende discutir diretamente com Trump essas questões, caso o líder americano leve o tema à mesa:

“Se a moda pega, cada um acha que pode invadir o território do outro. Onde vai surgir a palavra respeitabilidade à soberania dos países? Pretendo discutir isso com Trump se ele colocar o assunto na mesa.”

A tensão entre os mandatários aumentou após sanções americanas contra o Brasil relacionadas ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por liderar tentativa de golpe de Estado. Amorim e Lula reforçam que o caminho para proteger os interesses brasileiros passa pelo diálogo, mas também pelo respeito à soberania e às regras internacionais, evitando ações unilaterais que possam desestabilizar a região.

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