
Celulares apreendidos seguem sob sigilo na PF
Conteúdo de 52 aparelhos do caso Master ainda não foi apresentado ao Supremo
Mesmo com senhas liberadas e meses de investigação, mensagens seguem restritas à Polícia Federal
Mais de três meses após o avanço da investigação conhecida como Compliance Zero, a Polícia Federal ainda não compartilhou com o Supremo Tribunal Federal o conteúdo extraído de 52 celulares apreendidos no inquérito que apura irregularidades envolvendo o chamado caso Master.
Os aparelhos foram recolhidos durante a operação e, em grande parte, tiveram as senhas fornecidas espontaneamente por seus proprietários. Ainda assim, até o momento, o STF não teve acesso às mensagens, registros de chamadas, arquivos ou conversas armazenadas nos dispositivos — um material considerado central para o esclarecimento dos fatos.
Informações concentradas na cúpula da PF
De acordo com informações já conhecidas nos bastidores da investigação, apenas o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, tem conhecimento integral do conteúdo dos celulares. Nem mesmo os ministros do Supremo responsáveis pelo acompanhamento do caso tiveram acesso formal às informações.
O processo passou por mudanças de relatoria. Inicialmente, o ministro Dias Toffoli esteve à frente do caso. Atualmente, a responsabilidade está com o ministro André Mendonça, que aguarda o envio dos relatórios técnicos da Polícia Federal para avançar na análise judicial.
Investigação avança sem dados considerados-chave
A ausência do compartilhamento levanta questionamentos dentro do meio jurídico, já que a perícia em celulares costuma ser uma das etapas mais sensíveis e reveladoras em investigações desse porte. Mensagens privadas, trocas de arquivos e registros de comunicação podem indicar vínculos, combinações prévias e possíveis conflitos de interesse.
Apesar disso, a PF sustenta que a análise do material exige tempo, cruzamento de dados e cuidados técnicos, especialmente diante do volume de informações e da complexidade do caso. Fontes próximas à investigação afirmam que relatórios parciais existem, mas ainda não foram formalmente anexados aos autos que tramitam no Supremo.
Quem já foi alvo e o que se sabe até agora
A operação Compliance Zero teve como foco a apuração de relações consideradas sensíveis entre agentes públicos, integrantes do sistema financeiro e decisões judiciais envolvendo o caso Master. Além da apreensão dos celulares, houve quebras de sigilo e coleta de documentos, mas boa parte das conclusões permanece sob reserva.
Enquanto o conteúdo dos aparelhos não chega ao STF, o processo segue em compasso de espera. No meio jurídico, cresce a avaliação de que a liberação dessas informações será determinante para definir se o caso avançará para novas fases ou se ficará restrito ao campo investigativo.
Por ora, o que se sabe é simples — e ao mesmo tempo inquietante: as respostas podem estar nos celulares, mas seguem guardadas longe dos olhos do Supremo.