
Centro Dom Bosco questiona retirada do Gov.br de registro da consagração do Brasil a Nossa Senhora feita por Jair Bolsonaro
Entidade católica cobra explicações sobre desaparecimento do texto publicado no portal oficial após cerimônia realizada pelo então presidente em 2022
O Centro Dom Bosco (CDB) questiona a retirada do portal Gov.br do texto referente à consagração do Brasil a Nossa Senhora Aparecida, realizada pelo então presidente Jair Bolsonaro em outubro de 2022.
Segundo a entidade católica, a página que apresentava o texto da oração deixou de estar disponível pelo menos desde 2025. O CDB afirma ter preservado o endereço original da publicação e agora cobra do governo federal uma explicação para a retirada do conteúdo. Até o momento, não foi apresentada publicamente uma justificativa oficial para a indisponibilidade da página.
O ato realizado por Jair Bolsonaro
A cerimônia ocorreu em 24 de outubro de 2022, no Palácio da Alvorada, em Brasília, durante o último ano do governo Bolsonaro.
Representantes do Centro Dom Bosco entregaram ao então presidente um pergaminho contendo o texto da consagração. Acompanhado por um sacerdote católico, Bolsonaro realizou a oração na capela da residência oficial.
Na ocasião, o ex-presidente também divulgou o ato em suas redes sociais, enquanto o texto da oração foi disponibilizado no portal oficial do governo federal. O CDB sustenta que a publicidade da consagração era considerada necessária dentro da forma como a entidade compreendia a realização do ato.
É importante fazer uma distinção jurídica: a cerimônia religiosa não correspondeu a um decreto que alterasse a legislação brasileira ou estabelecesse juridicamente uma nova condição religiosa para o Estado. O que existiu foi um ato de caráter religioso realizado por Bolsonaro enquanto ocupava a Presidência.
O questionamento do Centro Dom Bosco
O CDB passou a cobrar publicamente explicações depois de constatar que o registro não estava mais disponível no Gov.br.
A entidade questiona por que um conteúdo que havia sido publicado oficialmente após a cerimônia deixou de aparecer no portal federal e pede esclarecimentos sobre quando e por qual motivo a página foi retirada.
O questionamento ocorre justamente porque o registro digital representava uma forma de documentação pública de um ato realizado dentro do Palácio da Alvorada durante o governo Bolsonaro.
Até o momento, contudo, não há informação pública suficiente para afirmar que a retirada tenha ocorrido por uma decisão motivada por razões religiosas ou políticas. A ausência de explicação oficial permite questionamentos, mas não permite atribuir uma motivação específica sem evidências.
A polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida e Flávio Bolsonaro
O episódio ganhou ainda mais repercussão porque ocorre em meio à atual disputa eleitoral envolvendo Flávio Bolsonaro, candidato do PL à Presidência.
Nos últimos dias, circulou nas redes sociais a alegação de que Flávio pretendia retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil caso fosse eleito.
Essa informação foi classificada como falsa em decisões e manifestações públicas recentes. O projeto de lei utilizado como origem da narrativa foi apresentado em 2007 pelo então deputado federal Victório Galli e acabou arquivado em 2008. Não há declaração conhecida de Flávio Bolsonaro defendendo a retirada do título.
O ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral, determinou a remoção de publicações que apresentassem como verdadeira a alegação sobre Flávio.
A CNBB, por sua vez, também negou ter produzido, autorizado ou participado da elaboração ou divulgação de informações falsas relacionadas ao tema.
O mérito do questionamento
Independentemente da disputa eleitoral, existe um ponto objetivo levantado pelo CDB: um conteúdo que havia sido publicado em um portal oficial deixou de estar disponível e a entidade solicita que o governo explique o motivo.
Esse questionamento não significa, por si só, que tenha ocorrido ilegalidade. Também não permite concluir que a retirada tenha sido determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou por qualquer autoridade específica.
A cobrança por transparência, entretanto, é pertinente quando um registro oficial deixa de estar acessível sem que seja apresentada publicamente uma justificativa clara.
O caso também mostra como religião, memória institucional e política eleitoral acabaram se encontrando no debate público de 2026.
Bolsonaro e a relação com Nossa Senhora Aparecida
O episódio de 2022 permanece como parte documentada da trajetória pública de Jair Bolsonaro.
Naquele momento, o então presidente participou de uma cerimônia religiosa no Palácio da Alvorada e tornou pública sua consagração a Nossa Senhora Aparecida. O registro posteriormente disponibilizado no Gov.br funcionava como documentação oficial da realização daquele ato.
Agora, com a ausência da página, o Centro Dom Bosco pede respostas.
A questão central, portanto, não é afirmar antecipadamente que houve censura, perseguição ou qualquer irregularidade, mas esclarecer por que o conteúdo deixou de estar disponível, quando isso ocorreu e qual foi o procedimento adotado para sua retirada.
Enquanto o governo federal não apresentar uma explicação pública, permanecem as perguntas levantadas pela entidade católica sobre o destino do registro da consagração realizada por Jair Bolsonaro em 2022.