
Céu fechado: cortes de R$ 812 milhões deixam 40 aviões da FAB no chão e afastam 137 pilotos
Aeronáutica vive crise inédita: falta de verba paralisa missões, compromete soberania e até transporte de autoridades
A Força Aérea Brasileira (FAB) entrou numa turbulência sem previsão de pouso. Um corte brutal de R$ 812,2 milhões no orçamento, determinado pelo governo federal no Decreto nº 12.447, de 30 de maio de 2025, fez o Comando da Aeronáutica adotar medidas drásticas: suspender operações, paralisar aeronaves e reduzir drasticamente missões estratégicas até o fim do ano.
O impacto é direto e alarmante: 40 aviões estão parados nos hangares, muitos deles usados para patrulhamento aéreo, transporte logístico, operações de resgate e até deslocamento de autoridades. Além disso, 137 pilotos foram afastados de atividades operacionais. Alguns seguem em expediente reduzido, outros simplesmente não têm como voar por falta de recursos básicos, como combustível e peças de manutenção.
Nem o Grupo de Transporte Especial (GTE) escapou. É a unidade responsável por transportar presidentes, ministros e outras autoridades do Estado — agora também operando em ritmo limitado.
Missões suspensas e bases no “modo econômico”
As restrições não afetam apenas os céus. Elas atingem toda a engrenagem da Aeronáutica: manutenção, treinamento, abastecimento e logística. Até dezembro, a previsão é de que diversas bases aéreas funcionem em “meio expediente”, com voos cancelados, atrasados ou simplesmente engavetados.
Missões internacionais, eventos públicos e deslocamentos oficiais foram suspensos. A Aeronáutica, que deveria simbolizar soberania e segurança, agora trabalha sob o peso da incerteza e da escassez.
FAB confirma o caos
O cenário não vem apenas de denúncias ou especulações. A própria FAB reconheceu oficialmente a gravidade, confirmando tanto a paralisação de aeronaves quanto o afastamento dos pilotos. Documentos internos do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA), já vazados, reforçam que a crise não é passageira: a previsão é de que os efeitos durem ao menos até dezembro de 2025.
Risco à soberania
Especialistas do setor militar alertam que a situação ameaça diretamente a soberania do país. A FAB é peça-chave no monitoramento de fronteiras, na defesa do espaço aéreo e no atendimento a emergências em regiões remotas. Com aviões no chão e pilotos sem voar, o Brasil fica vulnerável num momento de instabilidade geopolítica crescente.
Enquanto isso, o governo federal não sinaliza qualquer reposição de verbas ou reavaliação da medida. Resultado: o país assiste à sua defesa aérea sendo desmontada, pedaço por pedaço, como se fosse algo descartável.