Cinco Dias a Mais no Poder, Uma Eternidade para o Brasileiro

Cinco Dias a Mais no Poder, Uma Eternidade para o Brasileiro

Mudança na posse presidencial estica mandato de Lula e vira símbolo de um país onde o tempo do povo vale menos

Enquanto o brasileiro conta moedas, espera na fila do SUS e soma boletos atrasados, o relógio do poder resolveu andar mais devagar — pelo menos para quem governa. A partir de 2027, a posse do presidente da República deixa de acontecer em 1º de janeiro e passa para o dia 5. O resultado prático? Cinco dias extras de mandato. Um “presente” institucional que, curiosamente, cai no colo de Lula.

A mudança foi aprovada lá atrás, em 2021, longe dos holofotes e ainda mais distante das preocupações reais da população. Oficialmente, trata-se apenas de um ajuste no calendário. Na prática, soa como mais um lembrete de que, no Brasil, o tempo do poder nunca corre no mesmo ritmo que o tempo do povo.

Com a nova regra, Lula soma cinco dias a mais ao seu terceiro mandato. Pouco? Para quem vive sob impostos altos, serviços precários e promessas recicladas, cinco dias simbolizam muito mais do que parecem. Representam a sensação constante de que cada minuto sob um governo ineficiente pesa como um castigo prolongado.

Governadores também entram no pacote e ganham dias extras, como se o problema do país fosse falta de tempo no poder — e não sobra de erros, gastos e discursos desconectados da realidade.

Mesmo liderando pesquisas e flertando com a possibilidade de um quarto mandato, Lula ainda não supera Getúlio Vargas em tempo total no comando do país. Mas, para o brasileiro comum, essa comparação histórica pouco consola. Afinal, quem sente a “tortura” diária da inflação, da insegurança e da instabilidade não mede sofrimento em anos ou dias — mede em contas que não fecham e em esperanças adiadas.

No fim, os cinco dias a mais não mudam o destino do país. Mas reforçam uma velha impressão: quando se trata de poder, sempre dá para esticar um pouco mais a corda. Mesmo que ela esteja amarrada no pescoço do povo.

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