Protestos no Irã chegam ao sexto dia, deixam mortos e colocam Trump no centro da crise

Protestos no Irã chegam ao sexto dia, deixam mortos e colocam Trump no centro da crise

Manifestações contra o custo de vida já resultaram em ao menos oito mortes, enquanto o presidente dos EUA promete apoiar manifestantes e Teerã reage com ameaças

Os protestos que tomam conta do Irã entraram no sexto dia consecutivo nesta sexta-feira (2) e já deixaram ao menos oito mortos, segundo relatos de agências de notícias e grupos de direitos humanos. As manifestações, motivadas principalmente pela alta do custo de vida e pela desvalorização da moeda iraniana, têm sido marcadas por confrontos violentos entre manifestantes e forças de segurança.

Em meio à escalada da tensão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um alerta direto às autoridades iranianas. Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que, caso manifestantes pacíficos sejam mortos, Washington “irá em socorro” da população. O presidente norte-americano, porém, não detalhou que tipo de ação pretende adotar.

A resposta de Teerã veio rapidamente. Um assessor próximo ao líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, advertiu que qualquer interferência dos EUA poderia provocar instabilidade em todo o Oriente Médio e ameaçar interesses americanos na região.

Mortes e confrontos se espalham pelo país

Relatos da agência semioficial Fars e do grupo de direitos humanos Hengaw indicam que parte das mortes ocorreu durante confrontos na cidade de Lordegan, no sudoeste do país. Outras vítimas foram registradas em Azna e Kouhdasht, no oeste iraniano. As autoridades não esclareceram se os mortos eram manifestantes ou integrantes das forças de segurança.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram cenas de carros incendiados, ruas tomadas por fumaça e confrontos diretos com a polícia. Em várias cidades, manifestantes gritam palavras de ordem contra o regime religioso, enquanto outros defendem a volta da monarquia ao país.

Crise econômica alimenta revolta

As manifestações começaram no último domingo (28), em Teerã, após nova queda brusca do valor da moeda local frente ao dólar. Comerciantes foram os primeiros a ir às ruas, mas rapidamente estudantes universitários e outros grupos aderiram aos atos, espalhando os protestos por diversas regiões do país.

O governo decretou um feriado nacional, fechando escolas, universidades e repartições públicas. Oficialmente, a medida foi justificada como economia de energia por causa do frio, mas muitos iranianos veem a decisão como uma tentativa de reduzir a mobilização popular.

Governo promete ouvir, mas endurece discurso

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que o governo está disposto a ouvir “demandas legítimas” da população. Já o procurador-geral do país adotou um tom mais duro, afirmando que qualquer tentativa de desestabilização será enfrentada com uma “resposta contundente”.

Apesar da gravidade da situação, analistas avaliam que os protestos ainda não atingiram a mesma dimensão dos atos de 2022, desencadeados pela morte de Mahsa Amini sob custódia policial. Ainda assim, o clima de tensão permanece elevado, com reforço da segurança nas áreas mais afetadas e temor de novos confrontos nos próximos dias.

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