Projeto quer expulsar da OAB advogado que atuar para facções criminosa

Projeto quer expulsar da OAB advogado que atuar para facções criminosa

Proposta em debate na Câmara altera Estatuto da Advocacia e acelera punição para profissionais envolvidos com crime organizado

A Câmara dos Deputados está analisando um projeto de lei que endurece as regras contra advogados que colaborarem com organizações criminosas ou grupos terroristas. A proposta, apresentada pelo deputado Kim Kataguiri (União-SP), prevê a exclusão do profissional dos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) caso fique comprovado auxílio a esse tipo de grupo.

O texto modifica o Estatuto da Advocacia e deixa claro que a infração disciplinar pode ocorrer mesmo que o advogado não utilize formalmente suas prerrogativas profissionais para ajudar a organização criminosa. Ou seja, o simples envolvimento já seria suficiente para caracterizar falta grave.

Expulsão imediata em caso de condenação

Um dos pontos mais rígidos do projeto estabelece a expulsão automática do advogado quando houver condenação criminal definitiva (transitada em julgado) ou decisão proferida por órgão colegiado. Nesses casos, o presidente da OAB poderá determinar a exclusão diretamente, sem necessidade de abrir processo disciplinar interno.

Atualmente, o Estatuto exige votação favorável de dois terços dos conselheiros para aplicar a penalidade máxima. A proposta reduz essa exigência: quando não houver condenação definitiva, bastará a maioria absoluta do conselho seccional competente para decidir pela exclusão.

Além disso, o projeto determina que esses processos tenham tramitação prioritária dentro da OAB, evitando que fiquem parados por longos períodos.

Combate à infiltração do crime organizado

Ao justificar a proposta, Kim Kataguiri afirma que o avanço das facções criminosas no Brasil tem se tornado cada vez mais sofisticado, inclusive com tentativas de infiltração em setores estratégicos do Estado e do sistema de Justiça.

Segundo o deputado, a mudança é necessária para fortalecer a defesa da ética profissional e proteger a sociedade de práticas que comprometam a credibilidade da advocacia.

Próximos passos

O projeto será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) em caráter conclusivo. Para se tornar lei, ainda precisará ser aprovado pela Câmara dos Deputados e pelo Senado.

O debate promete mobilizar tanto parlamentares quanto representantes da advocacia, já que envolve o equilíbrio entre punição rigorosa e garantias institucionais da profissão.

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