
“Comentário sobre guerra vira alvo de críticas e força retratação de jornalista da GloboNews”
Eliane Cantanhêde disse não entender por que mísseis iranianos “não matam ninguém” e acabou sendo acusada de banalizar a violência do conflito. Após repercussão, pediu desculpas nas redes.
A jornalista Eliane Cantanhêde, comentarista da GloboNews, se viu no centro de uma polêmica ao fazer um comentário considerado insensível durante o programa Em Pauta, na última sexta-feira (20). Ao falar sobre o conflito entre Irã e Israel, ela questionou, em tom de dúvida, por que os ataques iranianos “não matam ninguém”, ao contrário dos bombardeios israelenses sobre Gaza.
“Os mísseis de Israel destroem Gaza e causam mortes. Mas os que vêm do Irã e atingem Israel parecem não matar ninguém. Tem um ferido aqui, outro ali, uma mortezinha, mas nada comparável. Não entendo por quê”, disse Eliane ao vivo.
A fala rapidamente repercutiu nas redes sociais e foi alvo de críticas. Muitos a acusaram de minimizar a violência da guerra e tratar mortes humanas com frieza.
Diante da repercussão negativa, Eliane publicou um pedido de desculpas neste domingo (22) em sua conta no X (antigo Twitter). Ela afirmou que a intenção era levantar uma questão técnica sobre o alcance e eficácia dos mísseis iranianos, e não diminuir a gravidade do conflito.
“Revendo a gravação, percebo que me expressei mal. Minha fala abriu margem para interpretações equivocadas. Peço desculpas a quem se sentiu ofendido”, escreveu. A GloboNews também deu destaque ao pedido de desculpas durante sua programação.
A tensão entre Irã e Israel escalou ainda mais no fim de semana, com a entrada dos Estados Unidos no conflito. O presidente Donald Trump anunciou ataques diretos a três instalações nucleares iranianas, incluindo Fordow, um dos principais centros de enriquecimento de urânio do país. O governo iraniano reagiu com fúria, chamando Trump de traidor e prometendo retaliações contra cidadãos norte-americanos no Oriente Médio.
O Parlamento iraniano, como forma de resposta, aprovou o fechamento do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% de todo o petróleo comercializado no mundo. A medida ainda precisa do aval do líder supremo, aiatolá Ali Khamenei, para ser colocada em prática.
A guerra, que já deixou centenas de mortos e milhares de feridos, continua escalando e gerando reações em cadeia. Enquanto isso, o comentário de Eliane Cantanhêde entra para a lista dos deslizes midiáticos que reforçam a responsabilidade e o impacto das palavras em tempos de conflito.