
Congresso turbina fundão às escondidas e empurra R$ 4,9 bilhões para 2026
Em sessão esvaziada e sem votos registrados, parlamentares aumentam em quase 400% o dinheiro para financiar campanhas — enquanto cortam verbas de áreas essenciais
O Congresso Nacional decidiu que a conta da política, mais uma vez, vai pesar no bolso do brasileiro. Em uma sessão silenciosa, com poucos parlamentares no plenário e sem revelar como cada um votou, deputados e senadores ampliaram o fundo eleitoral para absurdos R$ 4,9 bilhões em 2026 — um salto de cerca de 390% em relação ao valor original enviado pelo governo.
O aumento foi encaixado na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) aprovada nesta quarta-feira (4). Nada de debate amplo, nada de votação nominal: a decisão foi tomada de forma simbólica, como quem apaga a luz para ninguém notar a bagunça.
Votação atropelada e um jogo de sombras
O fundão nem estava programado para ser discutido separadamente. Passaria despercebido, misturado ao texto geral do Orçamento. Só veio à tona porque o partido Novo tentou cortar o valor — tentativa prontamente derrotada pela articulação das principais lideranças do Congresso, que garantiram o repasse integral para as campanhas do próximo ano.
E como tudo foi decidido no escuro, não há registros individuais de voto. Não dá para saber quem apoiou o aumento e quem tentou barrar. É a democracia sem rosto — e sem coragem.
Consequências: dinheiro para a política, cortes para o país
Para que o fundão ficasse intacto nos generosos R$ 4,9 bilhões, o relator Isnaldo Bulhões (MDB-AL) propôs cortes diretos em outras áreas do Orçamento:
- R$ 2,9 bilhões cortados de emendas de bancada;
- R$ 1 bilhão retirado de despesas discricionárias — aquelas que o governo usa para custear serviços essenciais, políticas públicas e funcionamento básico da máquina pública.
Ou seja: enquanto o fundão cresce, setores que atendem a população encolhem.
Um dreno silencioso de recursos, justificado em nome do calendário eleitoral.
Corrida para aprovar o Orçamento final
Agora, para que o fundão comece a valer, o Congresso corre para votar o Orçamento de 2026 até 17 de dezembro. A peça ainda está na Comissão Mista de Orçamento, mas a pressa é grande — afinal, o repasse bilionário depende dessa aprovação.
Com o aumento blindado e aprovado de forma simbólica, lideranças partidárias garantiram um caixa generoso para o ano eleitoral, enquanto a discussão sobre prioridades públicas e transparência fica mais uma vez jogada para o lado.
Repúdio: um país remendado pagando a conta do luxo político
A decisão é uma afronta à população que enfrenta cortes, filas, serviços precarizados e um orçamento cada vez mais espremido. Enquanto brasileiros lutam pelo básico, o Congresso aprova quase 5 bilhões de reais para financiar sua própria sobrevivência eleitoral — e ainda o faz escondido, num jogo que evita qualquer tipo de responsabilidade perante o eleitor.
É o retrato perfeito do Brasil que muitos políticos querem: recursos fartos para as campanhas, e silêncio absoluto quando se trata de explicar ao país por que a política sempre vem primeiro que o povo.