
Conselho de Ética da Alep aprova parecer pela cassação de Renato Freitas
Deputado do PT é acusado de quebra de decoro após episódio de agressão em Curitiba; processo segue agora para novas etapas na Assembleia
O Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Paraná aprovou o parecer que recomenda a cassação do mandato do deputado estadual Renato Freitas por quebra de decoro parlamentar. A decisão foi tomada nesta segunda-feira (11) e representa mais um capítulo de um dos casos políticos mais repercutidos no Paraná nos últimos meses.
O relatório foi elaborado pelo deputado Márcio Pacheco e recebeu maioria dos votos no colegiado. Agora, o processo será analisado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia antes de seguir para votação definitiva em plenário.
Caso teve origem em confusão registrada em Curitiba
A representação contra Renato Freitas surgiu após uma briga ocorrida em novembro de 2025, no centro de Curitiba. Segundo o processo, o parlamentar se envolveu em uma discussão seguida de agressões físicas com um homem em via pública enquanto acompanhava a companheira grávida em uma consulta médica.
Imagens gravadas por testemunhas e câmeras de segurança circularam amplamente nas redes sociais e mostraram trocas de socos e chutes entre os envolvidos. O episódio provocou forte repercussão política e abriu debate sobre a conduta do deputado fora do ambiente legislativo.
Durante a tramitação do caso, a defesa sustentou que o episódio ocorreu em contexto de vida privada, sem ligação direta com o exercício do mandato parlamentar.
Relator defende punição máxima
No parecer aprovado, Márcio Pacheco afirmou que a conduta do parlamentar comprometeu a imagem institucional da Assembleia Legislativa.
Segundo o relator, havia elementos que conectavam o episódio ao exercício da função pública, incluindo a presença de um assessor parlamentar e o uso de veículo vinculado à estrutura da Casa durante a ocorrência.
“O comportamento é incompatível com a função parlamentar”, argumentou Pacheco ao defender a cassação.
Deputados do PT tentaram barrar a medida
Durante a sessão, o deputado Dr. Antenor apresentou um relatório alternativo sugerindo punições mais leves ou até o arquivamento do processo. A proposta, porém, foi rejeitada pela maioria dos integrantes do Conselho de Ética.
Além do pedido de cassação, o colegiado também analisou outras duas representações contra Renato Freitas envolvendo episódios de confronto político e manifestações públicas.
Nos dois casos, os parlamentares aprovaram a suspensão das prerrogativas parlamentares do deputado por 30 dias.
Próximos passos do processo
Após análise da CCJ, o pedido de cassação seguirá para votação no plenário da Alep. Para que Renato Freitas perca o mandato, será necessária a aprovação da maioria absoluta dos deputados estaduais.
O caso deve manter alta tensão política na Assembleia Legislativa do Paraná, ampliando o debate sobre limites da atuação parlamentar, conduta pública e responsabilidade institucional de agentes eleitos.