Advogado abandona defesa de ex-assessor de Moraes em meio à pressão no STF

Advogado abandona defesa de ex-assessor de Moraes em meio à pressão no STF

Eduardo Tagliaferro, acusado de tentar abolir o Estado Democrático de Direito, perde defensor enquanto o Supremo decide se o tornará réu.

O advogado Eduardo Kuntz deixou oficialmente a defesa de Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A saída ocorre em um momento delicado, enquanto o Supremo Tribunal Federal analisa se aceita ou não a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), que acusa Tagliaferro de tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

Segundo interlocutores ouvidos pelo Metrópoles, a decisão de Kuntz foi uma forma de “baixar a temperatura” na relação com a Corte, tentando mostrar que sua atuação é técnica, sem envolvimento em disputas políticas ou pessoais.

Com a saída, quem assume a defesa de Tagliaferro é o advogado Paulo Faria — o mesmo que representa o ex-deputado Daniel Silveira, também condenado por ataques às instituições.

A denúncia da PGR aponta três crimes previstos no Código Penal: violação de sigilo funcional, coação no curso de processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. Além disso, o ex-assessor também é acusado de tentar atrapalhar investigações sobre uma organização criminosa.

O julgamento da Primeira Turma do STF começou na sexta-feira (7), de forma virtual, e segue até 14 de novembro. O relator já votou pela abertura da ação penal, e o ministro Cristiano Zanin acompanhou o voto. Com dois votos a favor, a Corte precisa de maioria para transformar Tagliaferro em réu.

A situação de Tagliaferro, que já foi homem de confiança de Moraes, agora expõe um curioso paradoxo: o ex-assessor se vê julgado por quem um dia o orientou. E, em meio a manobras jurídicas e mudanças de defesa, o caso se transforma em mais um capítulo da tensão entre poder e lealdade dentro do próprio Supremo.

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