
Conversa vazada expõe articulação de Gleisi com servidora do BC: “Vou falar com o presidente”
Funcionária do Banco Central sugeriu “fazer uma limpa” após a saída de Campos Neto, e presidente do PT prometeu levar o assunto diretamente a Lula.
Uma conversa privada entre Gleisi Hoffmann, presidente do PT, e uma servidora do Banco Central veio a público e acendeu alertas sobre tentativas de interferência política na instituição. No diálogo, a funcionária sugere que, com a saída iminente do atual presidente do BC, Roberto Campos Neto, é hora de “fazer uma limpa” no órgão. Gleisi concorda e responde: “Vou falar com o presidente.”
O conteúdo da conversa vazada caiu como uma bomba no meio político e reacendeu o debate sobre a autonomia do Banco Central. A fala da servidora, que não teve o nome divulgado, carrega um tom de insatisfação com a atual gestão da instituição e indica o desejo de mudanças internas assim que houver uma nova nomeação para a presidência do órgão.
A resposta de Gleisi, por sua vez, mostra que o tema pode já estar sendo discutido em instâncias mais altas do governo. Ao afirmar que levará o assunto a Lula, a dirigente petista sugere que existe uma articulação em curso para reformular o perfil da instituição após a saída de Campos Neto, que tem mandato até o final de 2024.
A conversa vazada rapidamente repercutiu nos bastidores de Brasília, gerando críticas por parte da oposição, que vê no episódio uma tentativa de aparelhamento político do BC — uma instituição que, por lei, deve funcionar com autonomia técnica e independente do governo de plantão.
Gleisi Hoffmann ainda não se pronunciou publicamente sobre o vazamento. Mas a revelação do diálogo levanta questões sobre os bastidores da política econômica do governo Lula e as movimentações em torno do comando do Banco Central, que terá um papel crucial no cenário fiscal e monetário do país nos próximos anos.