
COP30 vira rombo bilionário: a conta explode enquanto o país finge que está tudo bem
Com quase R$ 800 milhões já torrados, o evento climático em Belém se transforma numa vitrine cara, inchada e desconectada da realidade — e o povo é quem paga a festa.
A menos de uma semana do fim, a COP30 já engoliu R$ 787,2 milhões dos cofres públicos — quase 80% de todo o orçamento, que chega a R$ 1,03 bilhão. É dinheiro suficiente para transformar políticas públicas inteiras, mas que, na prática, tem servido para alimentar contratos polpudos e estruturas gigantescas que parecem mais interessadas em glamour internacional do que em proteger a Amazônia.
O evento, vendido como símbolo da “responsabilidade ambiental” brasileira, virou um monumento ao desperdício. Enquanto a floresta queima e comunidades inteiras lutam para sobreviver, o governo gasta cifras astronômicas com logística, estruturas provisórias e contratos que ninguém explica direito.
A Presidência da República lidera disparado o gasto: R$ 698 milhões já foram usados. Logo atrás, aparecem a EBC com R$ 23 milhões e a Polícia Federal, responsável por mais R$ 18 milhões. Somando forças de segurança, a conta cresce ainda mais: PRF, Aeronáutica, Marinha e Exército completam um combo que, sozinho, já ultrapassa dezenas de milhões.
E o destino dos recursos só aumenta a sensação de que a COP30 virou um banquete para poucos. Entre os maiores favorecidos estão:
- OEI (Organização dos Estados Ibero-Americanos), que já recebeu R$ 324 milhões e tem um convênio total de quase R$ 500 milhões;
- Embratur, alimentada por uma fatia generosa desse orçamento;
- A própria UNFCCC, organizadora das conferências do clima, que levou mais R$ 38 milhões.
Fica difícil não sentir indignação. A COP30, anunciada com pompa, se distancia cada vez mais do discurso de proteção ambiental e se aproxima perigosamente de um projeto caro, opaco e que revela mais sobre a engrenagem política do que sobre o futuro do planeta.
Em vez de ser um marco de responsabilidade climática, o evento se tornou mais um exemplo de como o Brasil tropeça quando mistura boas intenções com práticas antigas: gastos sem transparência, contratos milionários e um espetáculo que não conversa com a realidade de quem vive na Amazônia — e muito menos com quem paga a conta.
Enquanto isso, o país segue se equilibrando entre o discurso verde e a matemática vermelha. E, como sempre, é o contribuinte que fica com a parte amarga dessa equação.