Copiloto esfaqueia comandante e tenta derrubar avião com 174 pessoas a bordo em voo para Israel

Copiloto esfaqueia comandante e tenta derrubar avião com 174 pessoas a bordo em voo para Israel

Voo da Flydubai saiu de Dubai com destino a Tel Aviv, sofreu uma queda abrupta de altitude e fez pouso de emergência na Arábia Saudita; Israel classificou o episódio como uma tentativa de ataque terrorista jihadista

Um voo da companhia Flydubai que seguia de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, para Tel Aviv, em Israel, viveu momentos de pânico na quarta-feira (30), quando o copiloto teria atacado o comandante dentro da cabine de comando e tentado assumir o controle da aeronave.

O voo FZ1073, realizado por um Boeing 737, precisou ser desviado para a Arábia Saudita depois que uma violenta ocorrência entre os pilotos provocou sinais de emergência e uma brusca alteração na trajetória. A aeronave acabou pousando em segurança no aeroporto de Tabuk.

Segundo autoridades israelenses, o copiloto teria esfaqueado o comandante e tentado provocar a queda do avião. O governo de Israel classificou o episódio como uma “tentativa de ataque terrorista jihadista”, enquanto as investigações continuam para determinar exatamente a motivação e todas as circunstâncias do ataque.

Avião perdeu milhares de metros de altitude

Um dos momentos mais graves ocorreu quando a aeronave sofreu uma queda extremamente rápida.

Dados de rastreamento analisados pela BBC indicaram que o avião estava a aproximadamente 34 mil pés de altitude e, em menos de dois minutos, perdeu mais de 17 mil pés — cerca de 5,2 mil metros. Outras análises registraram uma perda de aproximadamente 4,3 mil metros em menos de 30 segundos durante uma das fases críticas do incidente.

A aeronave também transmitiu sinais de emergência. Em determinado momento, o código informado indicava uma possível interferência ilícita ou situação semelhante a um sequestro, aumentando o temor de que o avião tivesse sido tomado à força.

Diante da possibilidade de uma ameaça contra a aeronave, houve uma resposta de segurança envolvendo forças aéreas da região.

Comandante ferido conseguiu abrir a porta da cabine

Segundo o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, o comandante, mesmo ferido, conseguiu abrir a porta da cabine de comando.

A abertura permitiu que outras pessoas entrassem no cockpit e ajudassem a conter o agressor. Autoridades israelenses afirmaram que passageiros israelenses participaram da intervenção.

A situação foi particularmente grave porque o confronto acontecia justamente no local onde ficam os controles da aeronave.

Com os dois pilotos feridos, outros integrantes da tripulação que estavam a bordo, mas não estavam escalados para operar aquele voo, assumiram o controle do avião e conduziram a aeronave até o pouso de emergência em Tabuk. A própria Flydubai confirmou que integrantes da tripulação conseguiram controlar e pousar o avião com segurança.

Passageiros ajudaram a conter o agressor

Relatos de passageiros descrevem momentos de extremo pânico.

Pessoas a bordo perceberam que o avião estava perdendo altitude rapidamente e ouviram gritos dentro da aeronave. Alguns passageiros se dirigiram à cabine de comando para ajudar a dominar o agressor e prestar assistência ao piloto ferido.

Relatos publicados pela imprensa israelense mencionaram sangue na cabine e passageiros assustados com a queda repentina do avião. Esses depoimentos ajudam a dimensionar o medo vivido durante o episódio, embora alguns relatos individuais não tenham sido independentemente verificados.

A ação dos passageiros e dos tripulantes que assumiram os controles foi apontada por autoridades israelenses como decisiva para impedir uma possível tragédia.

Copiloto disse que agiu sozinho

Depois do pouso, o copiloto foi detido pelas autoridades sauditas.

Segundo informações divulgadas pela imprensa israelense, ele afirmou durante o depoimento que agiu sozinho. O suspeito seria cidadão de Omã e permanece sob custódia na Arábia Saudita.

Essa declaração, porém, não encerra a investigação. As autoridades ainda precisam determinar o que motivou o ataque, se houve planejamento prévio, se existiam cúmplices e se o episódio realmente teve motivação terrorista.

Israel fala em ataque jihadista

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, classificou o episódio como uma tentativa de ataque terrorista jihadista.

Segundo Katz, as informações preliminares indicavam que a intenção do agressor seria derrubar o avião com todos os passageiros a bordo. O ministro atribuiu a sobrevivência das pessoas à reação dos passageiros israelenses e dos tripulantes que conseguiram retomar o controle da aeronave.

O primeiro-ministro Netanyahu também afirmou que o episódio poderia ter provocado uma tragédia de grandes proporções e elogiou a atuação do comandante, dos passageiros e dos demais tripulantes.

No entanto, a motivação terrorista ainda está sendo investigada. A Flydubai pediu cautela contra especulações prematuras, enquanto autoridades dos Emirados Árabes Unidos também abriram investigação sobre o incidente.

Netanyahu aponta possível radicalização

Em novas declarações divulgadas nesta quinta-feira (1º), Netanyahu afirmou que o copiloto havia passado por doutrinação islâmica radical e apresentava sinais de tendência suicida. Essas informações foram apresentadas pelo primeiro-ministro israelense durante a repercussão do caso.

A declaração aumenta a possibilidade de que o episódio seja tratado pelas autoridades como uma ação de motivação ideológica, mas a investigação ainda precisa estabelecer documentalmente a origem, a natureza e a extensão dessa suposta radicalização.

174 pessoas estavam a bordo

Informações divulgadas sobre o voo apontam que havia 174 pessoas a bordo, incluindo passageiros e tripulantes. A aeronave conseguiu pousar sem que o episódio terminasse em uma queda ou em uma catástrofe de maiores proporções.

O comandante ferido e o copiloto foram encaminhados para atendimento médico. O suspeito permaneceu detido pelas autoridades sauditas.

Depois do pouso, os passageiros foram encaminhados para atendimento e posteriormente seguiram viagem para Israel em outra aeronave. Segundo informações divulgadas pela Flydubai e pela imprensa internacional, o voo de repatriação partiu posteriormente de território saudita com destino a Israel.

Segurança aérea volta ao centro das atenções

O episódio também provocou uma reação imediata das autoridades israelenses na área de segurança da aviação.

Israel anunciou que pretende reforçar as verificações e os procedimentos de identificação de pilotos que operam voos com destino ao país, independentemente da companhia aérea. A medida ocorre justamente porque o suspeito ocupava uma posição dentro da própria cabine de comando.

O caso reacende uma questão particularmente sensível para a aviação mundial: os mecanismos utilizados para verificar antecedentes, comportamento e possíveis riscos relacionados a profissionais que possuem acesso direto aos controles de uma aeronave.

Um desastre que foi evitado

O que poderia ter terminado em uma tragédia aérea terminou com o avião pousando em segurança.

A combinação entre a reação do comandante ferido, a intervenção de passageiros e a presença de outros pilotos da companhia a bordo permitiu que o controle da aeronave fosse recuperado. O avião conseguiu chegar a Tabuk, onde os passageiros desembarcaram em segurança.

O episódio, entretanto, está longe de ser totalmente esclarecido.

Ainda precisam ser respondidas perguntas fundamentais: por que o copiloto atacou o comandante? Ele pretendia realmente derrubar o avião? Houve planejamento? Existiam cúmplices? Qual foi exatamente a motivação? Houve influência de alguma organização extremista? Como o suspeito conseguiu chegar à cabine armado?

As respostas dependerão das investigações conduzidas pelas autoridades sauditas, israelenses e dos Emirados Árabes Unidos.

Até que essas apurações sejam concluídas, a classificação feita pelo governo israelense como tentativa de ataque jihadista deve ser apresentada como uma avaliação das autoridades, enquanto os fatos já documentados — o ataque dentro da cabine, a perda abrupta de altitude, o desvio para a Arábia Saudita, a prisão do copiloto e o pouso de emergência — continuam sendo o núcleo comprovado do episódio.

O caso chama atenção não apenas pela violência do ataque, mas pelo risco concreto enfrentado por centenas de pessoas dentro de uma aeronave em pleno voo. A intervenção rápida de passageiros e tripulantes impediu que uma situação já extremamente grave se transformasse em uma catástrofe aérea de proporções muito maiores.

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