
CPMI do INSS inicia com mais de 30 convocações e mira ex-presidentes do órgão
Primeiro dia de trabalhos já aprovou lista extensa de depoentes, incluindo o “Careca do INSS” e 13 ex-presidentes do instituto; ministros foram apenas convidados
A CPMI do INSS abriu os trabalhos nesta terça-feira (26) com fôlego de maratona. Logo no primeiro dia, entre mais de 900 requerimentos na fila, os parlamentares aprovaram mais de 30 convocações e pedidos de quebra de sigilos. O alvo central da comissão são as fraudes em descontos irregulares sobre aposentados e pensionistas, escândalo que atravessou gestões de diferentes governos.
O relator, deputado Alfredo Gaspar (União Brasil), após acordo com a base governista, decidiu que ministros e ex-ministros seriam apenas convidados – e não convocados, como queria a oposição. Na prática, isso significa que eles podem comparecer de forma voluntária, sem obrigação legal.
Já no caso de ex-presidentes do INSS, a comissão não aliviou. Treze nomes que passaram pela chefia do instituto, entre 2012 e 2025, foram chamados a prestar depoimento. Também entrou na lista Antônio Carlos Camilo Antunes, apelidado de “Careca do INSS”, figura conhecida nas investigações.
Entre os aprovados para depor também estão o advogado Eli Cohen, que levantou as primeiras denúncias, e Marcelo Abi-Ramia Caetano, ex-secretário de Previdência do Ministério da Fazenda. Representantes da Polícia Federal, da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Defensoria Pública da União (DPU) também terão de dar explicações.
Além dos depoimentos, a comissão requisitou informações formais da PF, CGU, DPU, TCU e do Ministério da Previdência Social, além da cessão temporária de servidores desses órgãos para reforçar as investigações.
Lista de convocados confirmados:
- Eliane Viegas Mota (CGU)
- Bruno Oliveira Pereira Bergamaschi (PF)
- Patrícia Bettin Chaves (DPU)
- Eli Cohen (advogado denunciante)
- Marcelo Abi-Ramia Caetano (ex-secretário de Previdência)
- 13 ex-presidentes do INSS entre 2012 e 2025
Ministros e ex-ministros convidados (presença não obrigatória):
- Carlos Lupi (governo Lula)
- Onyx Lorenzoni (governo Bolsonaro)
- José Carlos Oliveira (governo Bolsonaro)
- Carlos Eduardo Gabas (governo Dilma)
Com isso, a CPMI sinaliza que não pretende aliviar na busca por responsabilidades, mas o tratamento diferenciado dado a ministros mostra que o jogo político segue vivo nos bastidores.