Irmão de Lula escapa de convocação na CPMI do INSS

Irmão de Lula escapa de convocação na CPMI do INSS

Governo fecha acordo com a oposição e evita depoimento de Frei Chico, mas pressão por investigações continua

O Planalto conseguiu marcar um ponto importante na CPMI do INSS nesta terça-feira (26). Após acordo entre governistas e opositores, ficou decidido que Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dirigente do Sindicato Nacional dos Aposentados (Sindnapi), não será convocado para depor. O sindicato é uma das entidades mencionadas no escândalo dos descontos irregulares em benefícios de aposentados.

Na mesma negociação, também foi descartada a convocação do ex-ministro da Economia Paulo Guedes. Para o governo, foi uma vitória política que ajudou a reduzir o impacto da derrota sofrida na semana passada, quando a oposição assumiu os cargos-chave da comissão: o senador Carlos Viana (Podemos-MG) na presidência e o deputado Alfredo Gaspar (União-AL) como relator.

Com o plano de trabalho aprovado, a CPMI dará início aos depoimentos nesta quinta-feira (28). O primeiro a falar será o advogado Eli Cohen, responsável pelas denúncias que desencadearam a Operação Sem Desconto da Polícia Federal. Ele foi quem revelou um esquema bilionário de fraudes, envolvendo descontos compulsórios em aposentadorias, adulteração de atas de assembleias e operações de crédito consignado sem autorização dos beneficiários.

Além de Cohen, a comissão aprovou a convocação de personagens centrais nas investigações, como Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e o empresário Maurício Camisotti, apontado como um dos principais beneficiários das fraudes. Ex-ministros da Previdência, servidores do INSS, dirigentes de associações e representantes da Dataprev também serão ouvidos ao longo dos trabalhos.

Segundo o relator Alfredo Gaspar, a prioridade é avançar sem perseguições políticas. “Ninguém será poupado, mas também ninguém será caçado. O objetivo é ir atrás dos culpados com base em fatos e provas”, afirmou.

No total, mais de 900 requerimentos aguardam votação, incluindo pedidos de compartilhamento de informações com o Supremo Tribunal Federal (STF). O presidente da CPMI, Carlos Viana, destacou que o processo está apenas no começo, mas garantiu que a sociedade terá acesso a todas as informações. “É um compromisso de transparência. Vamos mostrar o que realmente aconteceu no INSS”, disse.

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