CPMI em Ebulição: Deputado é Convocado Após Ameaçar Vice-Presidente do Colegiado

CPMI em Ebulição: Deputado é Convocado Após Ameaçar Vice-Presidente do Colegiado

Comissão avança sobre suspeitas de fraudes no INSS enquanto parlamentar maranhense vira alvo de busca da PF e responde por ataques diretos a um colega de partido.

A CPMI do INSS, que já vinha fervendo com denúncias, fraudes e disputas políticas, ganhou mais um capítulo tenso nesta quinta-feira. O colegiado aprovou a convocação do deputado estadual Edson Araújo (PSB-MA), acusado de enviar mensagens ameaçadoras ao vice-presidente da comissão, Duarte Jr., também do PSB. Um confronto que começou nos bastidores e agora chega ao centro da investigação.

Além da convocação, a comissão decidiu pela quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Araújo — uma medida dura, mas necessária diante da gravidade das suspeitas. O ambiente ficou ainda mais carregado quando, no mesmo dia, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra o deputado, dentro de uma nova etapa da Operação Sem Descontos, que mira um esquema de fraudes em benefícios do INSS.

As ameaças, que soam como intimidação explícita, surgiram depois que Duarte Jr. questionou movimentações financeiras envolvendo entidades ligadas ao setor pesqueiro do Maranhão. Documentos obtidos pela CPMI revelam que a Fecopema — entidade que Araújo já presidiu — recebeu cerca de R$ 400 mil da Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA). O repasse ocorreu justamente no período em que as fraudes em aposentadorias e pensões explodiram.

Os diálogos apresentados à Polícia Legislativa escancaram o clima hostil. Incomodado com a investigação, Araújo disparou para Duarte: “Você quer aparecer? Lugar de palhaço é no circo.” Quando o vice-presidente da CPMI perguntou se estava sendo ameaçado, ouviu como resposta: “Tô, porque você é um merda irresponsável.”

É esse o nível de tensão que corre pelas veias de uma comissão que tenta desvendar um dos maiores escândalos recentes envolvendo o INSS. Entre operações policiais, trocas de farpas e suspeitas de corrupção, o colegiado segue tentando separar verdade de intimidação — e fazer valer a responsabilidade que muitos parlamentares insistem em ignorar.

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