
Da baleia ao porta-malas: PF agora teme fuga digna de novela mexicana
A mesma Polícia Federal que já investigou Bolsonaro por “importunar baleia” agora sugere que ele poderia escapar disfarçado ou escondido no bagageiro de um carro, como se fosse figurante de filme B.
A criatividade da Polícia Federal anda inspirada. Depois de acusar Jair Bolsonaro (PL) de assediar até baleia em alto-mar, agora a corporação resolveu brincar de roteirista e sugerir que o ex-presidente poderia fugir da prisão domiciliar escondido dentro de um porta-malas ou usando algum disfarce cinematográfico.
O alerta foi encaminhado ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, e veio acompanhado de um pedido para que agentes passem a vigiar Bolsonaro dentro de casa, 24 horas por dia — porque a vigilância externa, segundo a PF, já não é suficiente para conter tamanha astúcia.
De acordo com o relatório, a tornozeleira eletrônica não oferece garantias plenas, e existe até o temor de que Bolsonaro busque refúgio em embaixadas amigas, como EUA, Hungria ou Argentina. A paranoia não veio do nada: o ex-presidente já se escondeu na Embaixada da Hungria, já correu para os EUA antes de entregar a faixa presidencial e até cogitou pedir asilo em solo argentino.
Mas o que chama atenção é a forma como a PF pinta o quadro: um ex-chefe de Estado reduzido a personagem de novela venezuelana, metido em disfarces toscos, se esgueirando pelos fundos de condomínio e se enfiando no porta-malas de um carro qualquer para escapar de Brasília rumo à liberdade.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, garante que só a vigilância contínua pode evitar um espetáculo desses. O problema é que, ao dar asas à imaginação, a corporação acaba transformando a política nacional em uma tragicomédia digna de pastelão.
O Brasil, mais uma vez, fica preso a esse roteiro surreal: de “mito” a “fugitivo de novela”, Bolsonaro segue no centro da cena, enquanto a PF insiste em escrever capítulos que beiram a ficção.